quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Figuras Lendárias - Mica

Das figuras lendárias que já conheci e que habitaram esse mundo, Mica é a minha referência, com certeza.
Mica era um homem que habitava o prédio que fica atrás do meu. Um homem derrotado, com uma vida infeliz, porém que foi querido por todos os condôminos daqui.

Me lembro que um dos primeiros "amigos" que fiz aqui quando cheguei foi o filho dele, Antônio. Antônio começou sendo legal, mas depois virou um carinha insuportável que um certo dia me ameaçou com um canivete, e o pior, sem nenhum motivo aparente. Ele tinha uns 7 anos. Foi ele também quem me mostrou uma revista de mulher pelada pela primeira vez.

Mica era um homem muito prestativo, sempre que alguém pedia um favor pra ele, ele fazia de bom coração, já o vi carregando compras, consertando um monte de coisas distintas, limpando a quadra...
Mica se tornou uma lenda devido aos burburinhos que rolavam sobre ele. Já ouvi e presenciei alguns desses fatos. O primeiro que eu ouvi, e que parece ser verdade mesmo é que Mica foi um homem rico, bem casado e dono de muitas terras em Senhor do Bonfim, mas perdeu tudo por causa do álcool.
Diziam também que ele tinha umas filhas do seu casamento morando nos Estados Unidos e tudo e Antônio foi fruto de uma relação nunca assumida de Mica com a faxineira do apartamento vizinho ao dele.
Me lembro de tê-lo visto algumas vezes vestido com um terno branco e uma camisa de taxista completamente embriagado e dizendo:

-Vou pro casamento de João (não me lembro qual era o nome).
-Mas Mica, João casou tem uns 15 anos.
-Não importa, eu vou de novo. - Dizia ele com plena convicção do que estava fazendo.

Outros fatos curiosos que já contaram sobre ele:
1-Ele vendeu Antônio pra comprar cachaça.
2-Entrou no mercado montado n'um cavalo.
3-Desceu o morro daqui dentro de um tunel.

Eu sempre achava que tudo isso era lenda, até que o destino mostrou pra mim que era possível que tudo fosse verdade. Um dia em que eu estava na quadra soltando traques quando ele apareceu. Era época de São João.

-Olhem o que eu comprei! - E mostrou uma bomba "de mil".
-Ohhhhh! - Fizeram todas as crianças.
-Tampem seus ouvidos que eu vou soltar. - Acendeu a bomba com o cigarro e jogou a bomba.
-BUM!!!!!!!!!! - Disse a bomba ao ser explodida.
-Vou soltar a outra. - Acendeu a bomba com o cigarro e jogou o cigarro.

Ao perceber que tinha jogado o objeto errado, ele jogou a bomba, que explodiu antes que ele pudesse tampar os ouvidos. Acabou ficando 15 dias com o ouvindo "zunindo" e queimou um pouco do dedo pois a explosão foi bem próxima.

Uma vez me lembro de ter ido com alguns amigos buscar alguma coisa na casa dele. Eram oito da manhã e eu devia ter uns 10 anos.

-Mica, o que é isso? - Perguntou alguém inocentemente ao ver uma bombinha de Caninha da Roça em cima da mesa.
-É cachaçaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. - Disse ele, bebeu um gole e começou a cantar. -DOCINHO, DOCINHO... TCHÁ-TCHÁ-TCHÁ! DOCINHO DE COCO, DE MORANGO E DE CAJÚ! VEM PRA CÁ, QUE EU QUERO TE BEIJAR!

Um dia Fausto e Iuri estavam sentados no nosso "point", o prédio que chove bala (nome dado devido ao senhor que sempre jogava uma balinha pra galera), quando Mica passou, subindo a ladeira, arrastando uma caixa de papelão com grande esforço. Devido a força que ele fazia, Iuri e Fausto observavam a cena pensando que ali dentro tinha uma coisa muito pesada.
Até a hora que uma leve ventania passou e levou a caixa.

No dia 23 de dezembro de 2006, o céu amanheceu escuro, uma nuvem negra pairava sobre nossa humilde residência. Acordei e entrei no MSN, Iasmin, irmã de Iuri, veio falar comigo:

-Kissão? Você soube?
-Não, o que aconteceu?
-Mica morreu.

No primeiro ano, na aula de Filosofia, o professor sempre perguntava "quem somos? de onde viemos? e pra onde vamos?", eu sempre achei aquela aula uma babaquice, mas naquela hora, tudo começou a fazer sentido. Eu não sei ao certo quem ele era, nem de onde veio, nem pra onde foi mas espero que hoje em dia Mica esteja n'um lugar melhor e que esteja feliz! Longe daquela maldita cachaça que acabou com a sua vida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Figuras Lendárias - Márcio Gambá

Nesses treze anos que moro aqui, várias figuras lendárias já apareceram por essas bandas, cada um com sua peculiaridade. Hoje irei falar sobre uma delas, o lendário Márcio Gambá.

Márcio era um menino negro cuja mãe fazia faxina em alguma(s) casas daqui, ele sempre acompanhava ela provavelmente porque a mãe dele não tinha com quem deixá-lo, Márcio era conhecido por todos, principalmente por ele sempre ter uma bola pra jogar. Por ser conhecido por todos, acabava sempre ganhando roupas e brinquedos usados. Eu o conheci em 1999.

A mãe de Márcio era uma figura também. Devido a sua falta de instrução, ela já não tinha mais nenhum dente e os que lhe restavam eram completamente cheios de gosmas. Ela era tinha uma voz mansa e usava sempre um pano na cabeça, típica faixineira.

Lembro de ter conhecido Márcio na casa de um menino chamado Victor(não o mesmo da história do meu primeiro porre).

-E aí, Márcio? Vamos brincar lá fora?
-Não posso, minha mãe vai passar aqui daqui a pouco.
-Ahhh, bora, Márcio!
-Tá bom.

Uma hora depois:

-Máárcio, eu te procurei por todo condomínio!
-Desculpe, mãe!
-Você sabe que eu não posso ficar andando isso tudo!
-Desculpe, vamos pra casa.

No fundo, eu sempre tive um pouco de pena dele.

Com o passar do tempo, Márcio foi crescendo. E o tempo trouxe também uma das suas características mais marcantes e também razão do seu apelido: o mal cheiro.
Depois de vinte minutos do "baba", ninguém suportava mais ficar perto de Márcio.
Tanto que a galera sempre deixava ele na "de fora" e sentado sozinho no banco, porque sempre que ele tava jogando, seu fedor espantava os jogadores dos dois times.
Lembro de uma vez que estavamos jogando bola com ele e Iuri se trombou com ele durante o jogo, isso foi mais ou menos em 2001, eu e Iuri eramos apenas conhecidos. No dia seguinte, eu e Fausto encontramos com Iuri passeando com seu cachorro, o hoje já falecido, Kim (que Deus o tenha).

-Porra, man, depois daquela dividida com Márcio, meu braço ficou fedendo o dia todo! Tá fedendo tá agora! - Disse Iuri.
Eu e Fausto rimos.
-É sério! Lavei centenas de vezes no banho e continua fedendo.

Um dia a situação estava tão periclitante que alguém teve a brilhante idéia de dar um banho em Márcio.

-O plano é o seguinte, a gente vai bater o baba e quando a quadra tiver cheia, a gente sai de fininho, vem aqui, pega tudo que a gente precisa e dá o banho nele. - Disse um dos mentores.
-Mas ele vai sair correndo! - Observou alguém.
-Alguém tem que segurá-lo. - Acresentaram.
Nesse momento um breve silêncio pairou no ar.
-Eu seguro! - Disse um dos soldados.

Então o plano foi posto em prática. Todos na quadra conforme o combinado e eis que chega Márcio.

-Vamo jogar?
-Vamos, a gente 'tava' esperando você!

Como sempre tinha muita gente pra jogar, o início do plano deu certo. Saímos 'de fininho' e fomos pra casa de um dos mentores preparar o "coquetel molotov".

-Peguei aqui, ó. Balde, sabão e água.
-Tá pouco, pegue Q-Boa também.
-Q-boa?
-É, minha mãe sempre usa pra tirar o fedor das roupas.

Eis que volta o mentor com milhares de produtos de limpeza: Água sanitária, detergente, desinfetante, sabão em pó, amaciante, Pinho-Sol...
Então colocamos tudo no balde e a partir desse momento, o plano começou a dar errado.

-Não vou mais segurar ele não.
-PORQUE???? - Disseram todos.
-Você viu como ele tava fedendo?? Eu vou ter que tomar vinte banhos com essa mistura aí pra sair o fedor de mim.
-É verdade? E agora?
-Vamos jogar 'na tora' mesmo.

Depois disso, todos foram pra quadra jogar o "coquetel molotov" em Márcio, que ao ver que se aproximavam dele com aquele balde, deu uma de Cascão quando ouve um "CABRUN!" e saiu disparado.

-Eu falei que era pra segurar!!!
-Agora já era!

Então jogamos toda aquela mistura homogênea no matinho que ficava próximo a quadra. E todos foram pra suas casas tristes com a missão mal sucedida.
No dia seguinte, o matinho apareceu seco e as plantinhas que ficavam ao redor, todas mortas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Se alguém o vir parado, eu sinto muito.

Hoje eu acordei cedo pra ir a faculdade e minha mãe sugeriu (ordenou) que eu fosse no cartório autenticar uns documentos pra ela.
Isso me lembrou do grande trauma que eu tenho com idas ao cartório. Após alguns minutos de diálogo (discussão), ela cedeu e pediu pra outra pessoa ir.

N'um determinado dia das minhas férias de 2006, minha mãe pediu que eu fosse pra ela ao cartório. Como eu era inexperiente no ramo, aceitei e pedi pra ela me levar lá.
Cheguei logo após o almoço, umas treze horas e já tinha uma boa quantidade de pessoas na porta. Tinha um guarda também:

-Como eu faço pra ser atendido? - Perguntei inocentemente.
-Entre aí, pegue uma senha e aguarde.

Entrei e logo ao lado dos caixas tinha um balcão com alguns papéis, cada um deles era uma senha, olhei pro painel eletrônico e ele marcava o número 32.
Olhei pr'as senhas e a menor delas era 184.
Olhei de novo pra ter certeza que minha empregada não tinha colocado algum alucinógeno na minha comida e voltei pra falar com o guarda.

-Esse painel tá com problema?
-Não, ele tá certo! Vá dar um passeio pelas redondezas que acho que vai demorar.

"Acho que vai demorar? VAI DEMORAR PRA CARALHO!" - Pensei.

O cartório fica dentro de um mini-shopping chamado Pituba Park Center, esse mini-shopping faz parte de um "complexo de mini-shoppings" chamado de Tricenter. E se você sair do shopping e atravessar a rua, você ainda pode passear pelo shopping Itaigara.

Rodei o Tricenter e o shopping Itaigara duas vezes, dando uma olhada superficial pelas vitrines e olhei algumas revistas na banca. Olhei pro relógio e já tinham passado quarenta minutos. Voltei pro cartório e ele ainda marcava 60.
Voltei pro meu passeio olhando cuidadosamente todas as lojas, lendo matérias inteiras nas revistas, olhando os preços das cervejas no mercado, observando os diversos tipos de pessoas que passavam e após uma hora e meia, voltei.
100.
"Pelo menos já andou um pouquinho mais" - Pensei buscando conforto.

Resolvi ligar pra minha mãe dizendo que ia embora, mas que voltaria no outro dia mais cedo pra ser atendido mais rápido.

-NEM PENSE NISSO! EU PRECISO DISSO PRA AMANHÃ. - Disse ela gritando.

Após desligar o telefone, encontrei meu primo Rodrigo.

-E aí, meu velho? Veio fazer o que aqui? - Perguntei.
-Vim autenticar uns documentos no cartório.
-Eu também! Qual a sua senha? - Perguntei na ânsia de ele responder uma senha que estava mais perto.
-196.
-Vixi! A minha é 184.
-Vou autenticar quando você for, vamos dar um passeio?

Rodamos de novo pelos shoppings, tomamos uma água de coco e voltamos pra ver qual o número.
120.
Já cansado, morrendo de tédio e de raiva, pois tinham 6 guichês e 2 atendentes. Eu resolvi ficar lá sentado esperando.
É impressionante que em todo lugar é assim, sempre tem 23759285824 guichês e um ou dois atendentes, deve ser pra iludir a pessoa que pensa que um dia ela pode chegar lá e todos os guichês estarem preenchidos. Sonho.

Após mais quase duas horas de espera, finalmente chamaram meu número.
No guichê, uma atendente gorda e mal humorada me recebeu:

-Quer fazer o que? - Disse ela de maneira rude.

Expliquei pra ela tudo o que queria e ela fez tudo de cara amarrada e sem dar nenhum sorriso.

-Trabalhar aqui é um saco, né?
-Você não sabe o quanto.
-Pior seria se a senhora trabalhasse no pernoitão da LIMPURB.

Ela deu um sorriso amarelo e disse que estava pronto.
Após quatro horas, eu estava livre novamente e meu primo ainda me deu uma carona pra casa.
Três dias depois, minha mãe chega pra mim e diz:

-Te dei os papéis errados pra você autenticar, preciso que você vá lá de novo.

Após horas de diálogo (discussão e chantagem), eu fui. Mas cheguei cedo e só tive de esperar 6 pessoas.

sábado, 24 de outubro de 2009

Numa tarde ensolarada toda aquela criançada tomando refrigerante...

O dia primeiro de novembro é um dia estranho pra mim. Nesse dia é o aniversário da minha primeira bebedeira, o dia em que as portas do paraíso/inferno da cachaça se abriram pra mim e uma voz ecoou lá de dentro:
-Venha, meu filho.
E eu fui.

Aparentava ser um sábado comum no ano de 2003, fui a Lan House com meus amigos depois de uma bela partida de Magic e na volta me encontrei com Iuri e com um amigo dele, que chamaremos aqui de Juquinha. Juquinha era o típico amigo mal-influente, aos 14 anos ele já era maconheiro, bebia e ouvia uma música do diabo chamada de Rock.
Alguns dias (ou meses, não me lembro bem) Iuri tinha ido ao aniversário de Juquinha, onde ele ficou ébrio bebendo aquele vinho enorme chamado de Sangue de Boi. Nesse dia eles pareciam querer repetir a dose:
-E aí, Lucas (Kissão dava seus primeiros passos), vamos beber?
Depois de alguns segundos sem responder nada, eu disse:
-Vamo nessa.
Eu tinha 14 anos, Iuri e Juquinha, 15. A gente não conseguiria comprar nem uma lata de cerveja no mercado da esquina, só que Juquinha, como já era experiente no ramo, pediu pra um taxista comprar pra ele duas garrafas de São Jorge.
-Eu tomo uma e vocês dois tomam a outra.
Pelo menos ele tinha sido sensato e não nos deixou beber uma garrafa cada um. Voltamos pro condomínio onde eu e Iuri moravamos (e eu moro até hoje) e nos escondemos atrás de um prédio, em uma rua que não tem muito movimento.
-É a primeira vez que você bebe, né? - Perguntou Juquinha.
-Pra ficar bêbado, é. - Respondi na lata.
Então começamos, quem já bebeu São Jorge, sabe o que eu tô dizendo, parece que cada garrafa tem um vinho diferente. Tem garrafas que tem gosto de álcool puro, tem garrafas que tem gosto de suco de uva, tem garrafas cujo gosto não tem nada comparável... Com o perdão do trocadilho, é um vinho de lua.
Parece que o vinho do santo guerreiro estava de bom humor naquele dia. Ele estava com um gosto muito agradável e em um determinado momento, Juquinha equiparou as garrafas e disse:
-Virem aí.
Eu e Iuri nos entreolhamos e bebemos aquela bebida roxa de "gut-gut". O álcool parecia estar subindo à mente quanto Juquinha falou:
-Esperem aí.
E saiu.
Eu e Iuri ficamos lá meio tontos e sem saber direito o que estava acontecendo, quando Juquinha voltou e disse:
-Tomem, bebam isso aí.
Ele tinha comprado três latinhas de Bavaria, uma pra cada. Bebemos tudo bem rápido pra não levantar suspeitas do pessoal do prédio e fomos levar Juquinha na frente do condomínio pois o pai dele estava pra chegar. No caminho, eu já fui trocando as pernas, eu já tava bastante tonto. Se fosse hoje em dia, após quase 6 anos, eu não estaria nem um pouco espantado com nada, mas, naquele dia, aquilo tudo parecia surreal.
-É assim que a gente fica bêbado? - Pensei.

Ficamos sentados n'um batente esperando o pai de Juquinha, quando uma moça chegou. É impressionante que quando a gente quer esconder alguma coisa, mas testemunhas aparecem.
-Vocês podem segurar meu cachorro enquanto eu entro na farmácia?
-Podemos.
E ficamos lá, esperando o pai de Juquinha e segurando o cão da senhora.
O pai de Juquinha chegou, a moça voltou e eu e Iuri entramos no condomínio.

Logo na entrada, encontramos um amigo nosso chamado Victor. Victor conversava bastante com a gente sobre isso de beber, mas na hora em que a gente resolveu ir, ele tinha sumido. Victor falou algumas coisas que eu não me lembro mais, e nós fomos em direção a casa dele, eu e Iuri completamente ébrios e falando um monte de coisa sem sentido. Como Iuri era o mais velho da turma, todo o resto ficou olhando pra gente com cara de "vou contar pra sua mãe". E alguém fez algo parecido e contou à Iasmin, a irmã de Iuri. Ela apareceu do nada e disse:
-Iuri, minha mãe tá lhe chamando.
-Porra, Iasmin, eu não vou pra casa não.
-IURI, MINHA MÃE TÁ LHE CHAMANDO.
E ele foi pra casa, mas disse que não ia demorar e pediu que esperássemos na entrada do prédio dele.

Eu sou um cara chato. Não converso muito tempo com pessoas que eu não conheço. Mas, pra aumentar o número de testemunhas desse dia, fiquei conversando com uma senhora que estava sentada na frente do prédio de Iuri. Por sinal, depois daquele dia, nunca mais eu a vi sentada ali.
Ela havia acabado de trocar de apartamento com o filho, pois o dela era no primeiro andar e o do filho no térreo e, devido a idade, ela não poderia mais subir escada. Aqui no condomínio, todos os prédio são de escada. E como o outro filho dela morava naquele mesmo prédio, as coisas ficariam mais fáceis.

Iuri tomou um esporro e foi deitar. Depois de sentir sua cama girar com mais ou menos 900 RPM, começou a vomitar. Começou vomitando no quarto, passou vomitando pelo corredor e terminou sua vomitada no banheiro. Segundo o relato do mesmo, até pedaço de uva saiu.

Eu voltei pra casa, logo após a mãe de Iuri dizer que ele não ia mais sair e que Juquinha nunca mais voltaria lá.
Ao chegar nas proximidades do meu prédio, eu me lembrei que era aniversário do filho do meu vizinho e que milhares de pessoas, incluindo meu pai, estariam no playground. Se eu fosse um pouquinho mais experiente no ramo, passaria por ali como se nada tivesse acontecendo, mas passei correndo e subi em 5 segundos a escada que geralmente eu subo em 30.
Cheguei em casa, sentei em frente a privada e botei tudo pra fora. Aquela foi uma das poucas vezes em que eu vomitei, acho que de lá até aqui, eu só vomitei mais umas 3 vezes, devido a bebedeira. Depois de vomitar, eu fui tomar um banho, liguei o chuveiro e fiquei deitado no chão do banheiro. Meu pai chegou e bateu na porta:

-Lucas, você está bem?
-...
-Lucas?

Sempre foi mais fácil de esconder de meu pai o meu estado. Não sei se ele faz vista grossa, ou se ele não percebe mesmo. As únicas vezes que eu tomei esporro dele, foi porque minha mãe ficou apertando a mente dele pra que ele apertasse a minha. Mas minha mãe tava em Recife, pra minha sorte.
Na minha casa tem dois banheiros, de um banheiro tem um buraco que, se você subir n'um banco, dá pra ver o outro.
Como não obteve resposta, meu pai olhou pelo buraco pra ver o que tava acontecendo, eu tava deitado no chão do box, com a bunda pra cima:

-OW RAPAZ, TÁ DORMINDO AÍ?
-...é...peguei no sono...
-LEVANTE, VÁ PRA SUA CAMA E PARE DE GASTAR ÁGUA, porque você subiu correndo?
-tô com dor de barriga, daqui a pouco passa.

Ao deitar na cama, eu senti a mesma coisa que Iuri, a cama rodava em torno do seu próprio eixo, mas com 450 rpm. Rapidamente peguei no sono e no outro dia acordei com meu pai batendo na porta do quarto:
-Levante que a gente vai buscar sua mãe no aeroporto.

Meu pai foi na frente e eu e minha irmã ficamos sozinhos por um instante:

-Fiquei bêbado ontem.
-Sério? - ela riu - Como foi?
-É.. foi legal.. - e contei a história pra ela.
-Meu pai descobriu?
-Ainda não.

Liguei pra Iuri depois que cheguei do aeroporto, prometemos que nunca mais beberíamos. Uma semana depois, Iuri foi pra um 15 anos, onde tomou umas cervejas.

Alguns meses depois, a mãe de Iuri conheceu a minha e contou tudo pra ela. Minha mãe e meu pai me deram um esporro, mas nada demais... O flagrante teria sido pior. As portas do inferno/paraíso já estavam abertas e esse foi o primeiro passo...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Five Days a Week

Pegar ônibus é uma merda. Pegar o mesmo ônibus todo dia, é uma merda maior ainda. Pegar o mesmo ônibus, todos os dias, no mesmo calor, mesmo engarrafamento e a mesma promessa de acordar mais cedo, é fatal!

Hoje eu acordei mal-humorado. Raramente isso acontece, mas hoje não sei o que foi, acho que acordei com o pé esquerdo. Entrei no ônibus, e sentei no meu lugar de costume... Ás 7:20 da manhã de uma sexta-feira, estava eu lá, pirado por ter acordado cedo, porque tava engarrafado, porque tava calor pra caralho, porque eu tava atrasado, e porque eu deveria ter acordado mais cedo pra evitar os motivos listados anteriormente.
Eis que senta-se ao meu lado uma mulher, devia ter uns 40 anos e estava com cara de quem chegou da 'balada', não tomou banho, dormiu 40 minutos e saiu de novo. Já entrou no ônibus abrindo o berreiro no celular:
-ELA QUE CHEGUE ATRASA DE NOVO HOJE PRA ELA VER! EU VOU MANDAR EMBORA! TÁ PENSANDO O QUE???????????? QUE VAI CHEGAR TARDE TODO DIA???

Nessa hora, minha cabeça já era uma grande panela de pressão, o cérebro cozinhava no crânio e a fumaça saia pelos ouvidos. Tentei abstrair a situação, afinal, eu já tava pirado, não queria mais um motivo pra apertar minha mente.
Olhei pro lado e vi três meninas do colégio estadual voltando pra casa (sei que estavam voltando pra casa porque o colégio fica na outra direção), uma delas olhou pra mim e falou:

-COISINHO! VOCÊ TEM HORAS AÍ?
-eu tenho cara de relógio, por acaso?
-OW COISINHO! DIGA AÍ, VÁ, QUERO SABER SE TÁ CEDO PRA EU CHEGAR EM CASA
-você não foi pra aula não?
-NÃO, COISINHO, HOJE TEM AULA DE MATEMÁTICA E FÍSICA, ISSO ME DÁ DOR DE CABEÇA
Eu quis dar uma lição de moral, dizendo que ela não deveria fazer isso, pois ela é o futuro desse país, mas como eu estava quase explodindo e também não tenho cara de professor chato, apenas disse, enquanto o ônibus finalmente andava:
-são 7:40, se eu fosse você, eu iria pra escola.
-NÃO, BRIGADA, COISINHO!

Nessa hora a mulher do meu lado saiu do ônibus e eu fiquei lá... Sozinho, sentado no ônibus ás 7:45 da manhã de uma sexta-feira, puto porque o ônibus não andava mais, porque tava calor, porque tava atrasado...
E sonhando com o dia em que finalmente terei um carro e ficarei lá... Sozinho, puto porque o trânsito não flui, porque estarei atrasado... MAS NO CONFORTO DO MEU AR-CONDICIONADO.

Podem dizer que eu sou fresco, mas vá aguentar um sol de 550°C todo dia, com um bando de gente falando do seu lado e sentado n'um banco desconfortável!

OLÁ!

oi gente, esse é meu blog, uma ferramenta de contato web, onde eu contarei algumas histórias pra vocês.. algumas serão verdadeiras, outras nem tanto, mas será um conteúdo sincero e espero que muitos gostem..
eu sempre gostei de blog que falassem sobre os assuntos do meu interesse, por isso criei o meu também.. espero que alguém leia essa porra!
espero também que eu não fique anos sem postar, assim como meus blogueiros favoritos.
em breve darei o meu ponta-pé (entrei na faculdade e não sei nada dessa nova ortografia) inicial aqui, neste belíssimo espaço!
espero que entrem e fiquem a vontade

abrá