segunda-feira, 28 de junho de 2010

Chama a patricinha pra dançar

Quando eu estava na sexta série, eu era um fracassado.
Nenhuma das meninas olhava pra mim, eu não tinha amigos de verdade e eu levava o colégio (mais) na brincadeira (do que o habitual), fato esse que me rendeu uma recuperação no final do ano.
Minha rotina era jogar Magic nos intervalos e dormir durante as aulas.

Um belo dia, em uma aula de SOE, a professora pediu que todos fizessem desenhos com um bendito hidrocor. Só que o referido hidrocor 'respingava' tinta se fosse balançado, fato esse que foi descoberto por um brother chamado Artur. Em menos de cinco minutos, toda a sala tinha entrado em uma verdadeira guerra de tinta de hidrocor, onde as paredes da sala e a roupa de várias pessoas estavam sujas.

Em toda turma de colégio sempre tem uma patricinha nojenta. Ela acha que é superior a todos, faz cara de nojo quando alguém 'inferior' se aproxima dela e acha que todo o dinheiro que o pai dela gasta comprando coisas de marca pra conquistá-la, vai fazê-la melhor que os outros. São pobres coitadas que irão crescer sem nada na cabeça e vão casar com um cara rico que vai fazer a mesma coisa com a filha que eles tiverem antes de se separar, continuando assim o ciclo da mediocridade.

Nessa guerra, uma patricinha nojenta dessa foi atingida, sujando sua farda 'Master' (no meu colégio tinham dois tipos de farda, a Master, que era mais cara, e 'a outra' que era mais acessível. No fim era tudo a mesma coisa.), sua bermuda e seu tênis 'da última moda'.
Dois dias depois esse amor de pessoa aparece com uma sacola na aula, eu e Artur fomos abordados.

-Vocês que começaram a guerra, sujaram minhas roupas, minha empregada tentou lavar e só conseguiu limpar o tênis, já falei com a coordenadora e ela disse que vocês vão ter que me pagar novas roupas porque a culpa foi de vocês. - Disse ela nos acusando sem nenhuma chance de defesa, como se a gente tivesse queimado o pijama que Getúlio Vargas usou na noite do suicídio.

Eu e Artur ficamos assustados com a situação, mas fomos conversar com a coordenadora.

-Eu estava lá, e vi, realmente ela está certa, vocês que começaram tudo.
-A gente pode tentar lavar em casa? - Perguntou Artur.
-Podem, desde que consigam limpar tudo e deixar nas mesmas condições. - Respondeu ela sem dar-nos muita credibilidade.
-Beleza. - Dissemos.

Ao sairmos da sala da coordenadora, Artur virou pra mim e disse.

-Man, eu levo a bermuda pra casa e você leva a camisa. Peça pra sua empregada tentar limpar, depois de amanhã a gente resolve o que vai fazer.

Cheguei em casa e entreguei a camisa pra minha empregada, expliquei a situação pra ela e ela disse que ia me ajudar.
No outro dia Artur chega pra mim com a bermuda na mão.

-Aqui, minha empregada limpou, tá novinha em folha, fique aí com você e se você não conseguir limpar a camisa, você me entrega amanhã e eu tento lavar, se você conseguir, entregue a bermuda e a camisa pra ela, mas tente, não vamo pagar não!
-Beleza.

Cheguei em casa tenso. No fundo eu sabia que se eu pagasse novas roupas para aquela nojenta, o ego limitado dela ia subir de maneira absurda. Pedi pra empregada lavar, e pra minha surpresa, a farda já estava limpinha no varal.
Eu sabia que eu precisava fazer alguma coisa pra me vingar, eu não podia deixar essa oportunidade passar batida.
Peguei um pedaço de papel e escrevi o seguinte recado:
"Aqui estão suas roupas, desculpe por termos sujado, agora elas estão novinhas em folha. Pelo visto, suas coisas são sempre as melhores, então aconselho que você contrate uma nova empregada, de preferência uma que saiba lavar suas fardas."
Coloquei dentro da sacola e, no outro dia, devolvi a sacola pra coordenadora.

A menina tinha lugar marcado do meu lado no mapa de sala e nunca mais olhou pra minha cara.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Tá no rock...

"Tá no rock é pra se fuder" é o ditado popular mais correto que existe.
Quem é do rock sabe muito bem disso pois já sentiu na pele. Mas apesar das tantas baixas que a vida rockeira dá, quem é rockeiro mesmo nunca se livra por completo dela.

No final do incrível ano de 2006, eu, Paulinho e Iuri demos marcamos um show com a nossa primeira banda, que foi um embrião do que hoje é a Wildrock. Essa banda se chamava The Chucks. O som era aquilo mesmo, punk rock sujo, cru e direto. Porrada na cara!
Pois bem, nós tínhamos feito um ensaio em janeiro e decidimos que só faríamos mais um ensaio pro dia do show, que seria apenas cover do CARBONA. Era fim de ano e Paulinho tava de recuperação, e Iuri também, mas eu sempre fui um aluno aplicado... Enfim, Paulinho estava de recuperação e teria prova no dia do ensaio, que seria o mesmo dia do show.

-Vão lá pro condomínio e me esperem chegar. - Disse o filho de Dhalsim.
-Beleza, você vai demorar?
-Não, cheguem umas nove.
-Tranquilo. - Respondi inocentemente.

Chegamos lá por volta de nove e meia, sentamos na sombra na frente de uma casa e esperamos Paulinho. Por volta das onze horas ele chega junto com Gabriel.

-Bora, man, vamo agilizar, bora, bora, bora...

E lá fomos nós, rumo ao ensaio que seria na casa do então desconhecido João Habbib (que posteriormente veio a se tornar Jay Smoke, morador da Jay Smoker Mansion). Chegamos lá, fizemos um ensaio muito tosco no estúdio de João, almoçamos e fomos, com o feijão ainda na garganta, pro ponto, com baixo e pratos, embaixo de um sol de aproximadamente 315°C pra pegar um ônibus de Piatã até o Rio Vermelho.
Nem é preciso dizer como foi o trajeto, né? Ônibus lotado, pessoas nos olhando feio... Calor abundante...
Com a roupa do ensaio, e do ônibus, nós fizemos um dos shows mais toscos que o Idearium já viu (por sorte fomos a primeira banda e foi só o Idearium mesmo quem viu).
O ponto alto do show foi a participação de Gaby Night, que durante os ensaios ficou tocando um monte de solo country na guitarra. Depois disso ele foi chamado pra banda, assim o embrião germinou... e aí essa parte da história vocês já conhecem!