quinta-feira, 21 de abril de 2011

Playboy, porque vc me olha assim? Não sou igual aos seus amigos, não olhe atravessado pra mim

Dez mil e quinhetos anos depois, cá estou eu, escrevendo de novo nessa merda.
Histórias pra contar, com certeza não me faltam... Mas a preguiça desequilibra a balança de um jeito desfavorável e o blog vai continuar com atualizações esporádicas.
Só que depois de muitos pedidos (tá bom, foi só Flora do surf mesmo), eu resolvi postar.

Recentemente meu amigo Dino me convidou pra panfletar o show da banda Scracho que ele tá produzindo. Além de dar uma boa divulgada no show, essas "panfletadas" servem pra vivenciar boas gastações.
Ontem eu resolvi decretar feriado mais cedo e não fui pra faculdade, fiquei em casa aproveitando pra cultuar a preguiça que tanto tem me dominado. Pelo menos em teoria. Como eu herdei um notebook antigo que minha mãe tinha, já que meu antigo computador está em processo de falecimento, e como bom viciado que sou, aproveitei pra dar uma olhadinha no Facebook antes de sair do quarto pra iniciar mais um dia. Deixei a página carregando enquanto abria a janela e quando olhei de novo tinha um recado de Dino.

-Tá ae, man?
-E ae, Dinoca, qual é a boa?

Ele me convidou pra ir dar uma panfletada em alguns colégios pela Paralela e, talvez, em Vilas, como eu não tava fazendo nada mesmo, aceitei.
Cheguei na casa dele por volta das 9:30 e já saímos direto pra buscar algum colégio pra distribuirmos os panfletos. Tive a idéia de irmos no Villa Lobos, que foi o colégio que Paulinho e Gaby Night estudavam na época que tiveram a (nada) brilhante idéia de montar uma banda. No caminho, Dino estava dirigindo pela pista da esquerda na velocidade máxima da via quando um cidadão começou a fazer sinal de luz pra ele sair da frente, como ele não tinha como correr mais, ele continuou na pista, o cara cortou ele pela direita e começou a ir mais devagar até que ele mudou de pista e Dino passou por ele. Como bom gastão que sou, olhei pra cara dele e fiz uma cara de "tá vendo aí, imbecil, ficou apertando a mente pra sair da frente e agora tá ae, seu merda".
Chegamos no Villa Lobos, que fica do lado da Universidade Jorge Amado (UNIJORGE). Ao entrarmos, encontrei um ex colega meu do colégio, Fernando. Estacionamos e tentamos panfletar lá no colégio, só que fomos impedidos por uma recepcionista mal humorada. Como eram por volta de 10:30 da manhã e precisávamos chegar em Vilas só 12:30, resolvemos sentar e esperar lá mesmo na UNIJORGE. Sentamos e ficamos conversando até que vimos um início de confusão.
Um homem de terno, aparentando ter uns 50 anos (que chamarei de corôa) e um playboy careca, de óculos escuro, forte e com pinta daqueles caras que entram em festa prontos pra bater em qualquer pessoa (que chamarei de playboy mesmo). Eu pensei comigo "vai dar merda".
Fomos investigar o que estava acontecendo e o senhor estava se preparando pra estacionar quando o playboy roubou a vaga dele e mandou ele estacionar em outro lugar, o corôa, que, com razão, achou aquilo um desaforo, mandou ele sair e botar na outra vaga. Como o playboy disse que não ia sair, o corôa botou o carro trancando o carro do playboy e foi embora, disse que estava atrasado. Quando o corôa tava saindo, o playboy ameaçou:

-VOU QUEBRAR SEU CARRO TODO!!

"Vai dar merda!!!" - Continuei a pensar com meus botões.

O corôa não deu a mínima pro playboy e foi embora. O segurança, que assistiu toda a confusão de perto foi pedir pro corôa tirar o carro, mas o corôa continuou negando. Então foi aí que a merda começou. O playboy de um murro no capô do carro do corôa, vários chutes na porta e ainda quebrou as lanternas traseiras. Resultado, o carro ficou todo amassado. Por sorte, o carro que tava do lado do carro do playboy saiu e ele, em uma manobra radical, tirou o carro de lá e acelerou até desaparecer.
Quando soube o ocorrido, o corôa voltou, nervoso e cheio de ódio. Perguntou a algumas pessoas como tinha sido, pegou os dados de Dino pra servir como testemunha, enquanto anotava, era perceptível o nervosismo dele, quase não conseguiu escrever Pituba.
O corôa disse que ia acionar a polícia e a justiça, pro playboy ter o que merece.

Não sou de postar fotos aqui, como diria meu professor de Fundamentos II, "desenhos não provam nada", mas, vou colocar ESSA pra vocês terem noção de como ficou o carro do corôa depois da rajada de chutes que o playboy deu.

Inacreditável.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Chama a patricinha pra dançar

Quando eu estava na sexta série, eu era um fracassado.
Nenhuma das meninas olhava pra mim, eu não tinha amigos de verdade e eu levava o colégio (mais) na brincadeira (do que o habitual), fato esse que me rendeu uma recuperação no final do ano.
Minha rotina era jogar Magic nos intervalos e dormir durante as aulas.

Um belo dia, em uma aula de SOE, a professora pediu que todos fizessem desenhos com um bendito hidrocor. Só que o referido hidrocor 'respingava' tinta se fosse balançado, fato esse que foi descoberto por um brother chamado Artur. Em menos de cinco minutos, toda a sala tinha entrado em uma verdadeira guerra de tinta de hidrocor, onde as paredes da sala e a roupa de várias pessoas estavam sujas.

Em toda turma de colégio sempre tem uma patricinha nojenta. Ela acha que é superior a todos, faz cara de nojo quando alguém 'inferior' se aproxima dela e acha que todo o dinheiro que o pai dela gasta comprando coisas de marca pra conquistá-la, vai fazê-la melhor que os outros. São pobres coitadas que irão crescer sem nada na cabeça e vão casar com um cara rico que vai fazer a mesma coisa com a filha que eles tiverem antes de se separar, continuando assim o ciclo da mediocridade.

Nessa guerra, uma patricinha nojenta dessa foi atingida, sujando sua farda 'Master' (no meu colégio tinham dois tipos de farda, a Master, que era mais cara, e 'a outra' que era mais acessível. No fim era tudo a mesma coisa.), sua bermuda e seu tênis 'da última moda'.
Dois dias depois esse amor de pessoa aparece com uma sacola na aula, eu e Artur fomos abordados.

-Vocês que começaram a guerra, sujaram minhas roupas, minha empregada tentou lavar e só conseguiu limpar o tênis, já falei com a coordenadora e ela disse que vocês vão ter que me pagar novas roupas porque a culpa foi de vocês. - Disse ela nos acusando sem nenhuma chance de defesa, como se a gente tivesse queimado o pijama que Getúlio Vargas usou na noite do suicídio.

Eu e Artur ficamos assustados com a situação, mas fomos conversar com a coordenadora.

-Eu estava lá, e vi, realmente ela está certa, vocês que começaram tudo.
-A gente pode tentar lavar em casa? - Perguntou Artur.
-Podem, desde que consigam limpar tudo e deixar nas mesmas condições. - Respondeu ela sem dar-nos muita credibilidade.
-Beleza. - Dissemos.

Ao sairmos da sala da coordenadora, Artur virou pra mim e disse.

-Man, eu levo a bermuda pra casa e você leva a camisa. Peça pra sua empregada tentar limpar, depois de amanhã a gente resolve o que vai fazer.

Cheguei em casa e entreguei a camisa pra minha empregada, expliquei a situação pra ela e ela disse que ia me ajudar.
No outro dia Artur chega pra mim com a bermuda na mão.

-Aqui, minha empregada limpou, tá novinha em folha, fique aí com você e se você não conseguir limpar a camisa, você me entrega amanhã e eu tento lavar, se você conseguir, entregue a bermuda e a camisa pra ela, mas tente, não vamo pagar não!
-Beleza.

Cheguei em casa tenso. No fundo eu sabia que se eu pagasse novas roupas para aquela nojenta, o ego limitado dela ia subir de maneira absurda. Pedi pra empregada lavar, e pra minha surpresa, a farda já estava limpinha no varal.
Eu sabia que eu precisava fazer alguma coisa pra me vingar, eu não podia deixar essa oportunidade passar batida.
Peguei um pedaço de papel e escrevi o seguinte recado:
"Aqui estão suas roupas, desculpe por termos sujado, agora elas estão novinhas em folha. Pelo visto, suas coisas são sempre as melhores, então aconselho que você contrate uma nova empregada, de preferência uma que saiba lavar suas fardas."
Coloquei dentro da sacola e, no outro dia, devolvi a sacola pra coordenadora.

A menina tinha lugar marcado do meu lado no mapa de sala e nunca mais olhou pra minha cara.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Tá no rock...

"Tá no rock é pra se fuder" é o ditado popular mais correto que existe.
Quem é do rock sabe muito bem disso pois já sentiu na pele. Mas apesar das tantas baixas que a vida rockeira dá, quem é rockeiro mesmo nunca se livra por completo dela.

No final do incrível ano de 2006, eu, Paulinho e Iuri demos marcamos um show com a nossa primeira banda, que foi um embrião do que hoje é a Wildrock. Essa banda se chamava The Chucks. O som era aquilo mesmo, punk rock sujo, cru e direto. Porrada na cara!
Pois bem, nós tínhamos feito um ensaio em janeiro e decidimos que só faríamos mais um ensaio pro dia do show, que seria apenas cover do CARBONA. Era fim de ano e Paulinho tava de recuperação, e Iuri também, mas eu sempre fui um aluno aplicado... Enfim, Paulinho estava de recuperação e teria prova no dia do ensaio, que seria o mesmo dia do show.

-Vão lá pro condomínio e me esperem chegar. - Disse o filho de Dhalsim.
-Beleza, você vai demorar?
-Não, cheguem umas nove.
-Tranquilo. - Respondi inocentemente.

Chegamos lá por volta de nove e meia, sentamos na sombra na frente de uma casa e esperamos Paulinho. Por volta das onze horas ele chega junto com Gabriel.

-Bora, man, vamo agilizar, bora, bora, bora...

E lá fomos nós, rumo ao ensaio que seria na casa do então desconhecido João Habbib (que posteriormente veio a se tornar Jay Smoke, morador da Jay Smoker Mansion). Chegamos lá, fizemos um ensaio muito tosco no estúdio de João, almoçamos e fomos, com o feijão ainda na garganta, pro ponto, com baixo e pratos, embaixo de um sol de aproximadamente 315°C pra pegar um ônibus de Piatã até o Rio Vermelho.
Nem é preciso dizer como foi o trajeto, né? Ônibus lotado, pessoas nos olhando feio... Calor abundante...
Com a roupa do ensaio, e do ônibus, nós fizemos um dos shows mais toscos que o Idearium já viu (por sorte fomos a primeira banda e foi só o Idearium mesmo quem viu).
O ponto alto do show foi a participação de Gaby Night, que durante os ensaios ficou tocando um monte de solo country na guitarra. Depois disso ele foi chamado pra banda, assim o embrião germinou... e aí essa parte da história vocês já conhecem!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Honestidade e transparência, esse é o meu lema!

No ano de 2006, eu tinha quase 17 anos e era um adolescente roqueiro e revoltado com o sistema. Eu odiava todos os imbecis que estudavam no mesmo colégio que eu e adorava me divertir às custas deles.
Em mais uma das inúmeras tardes de gastações que nós tínhamos, surgiu uma gastação muito boa, era época de eleição do grêmio.
-Vamos fazer uma chapa fictícia pra gastar? Nenhuma dessas chapas vai fazer nada mesmo...

A idéia era simples: incentivar o voto nulo.

Para isso, eu escrevi um texto durante a aula de inglês pregando a adoção ao voto n'uma chapa que não existia, chamada chapa Honestidade.
Infelizmente, eu não tenho mais o texto, mas ele esculhambava todas as chapas concorrentes, dizendo, de forma bem humorada, que eles não iam fazer nada e eram apenas um bando de playboys vagabundos querendo filar aula.
O texto foi bem recebido pelos meus 'compainheiros', nós juntamos um dinheiro para a xerox e pra comprar fita adesiva e pronto, o ataque seria pela noite.
Como eu estudava de tarde, todos sabiam que depois da aula os corredores ficavam vazios e essa seria a hora perfeita pra atacar. Com o término das aulas, em 20 minutos o colégio estava vazio, aproveitamos pra colar o xerocado nos murais e em alguns lugares estratégicos.
No outro dia, já se ouvia o burburinho, ninguém sabia quem havia feito aquilo, mas muita gente ficou incomodada, alguns dias depois, um colega meu chegou com um jornalzinho em mãos.
-Man, olhe só o que escreveram aqui.

Uma das chapas escreveu sobre o nosso manifesto, disse que ele estava errado, que queriam nos chamar pra discutir propostas e etc.
Com o tempo, nossas publicações iam sendo arrancadas por imbecis revoltados e tinham que ser repostas, em um desses ataques de reposição, nós fomos pegos por um assistente de corredor que nos encaminhou pra censura (vice-direção). A censura, como já era de se esperar, censurou todo o movimento, mas ainda sim disse que era um movimento bacana e nós deveríamos continuar. Até hoje eu tento entender o que ela quis dizer com isso, mas isso acabou dissolvendo o movimento.

As eleições aconteceram, a chapa que comentou o manifesto ganhou e a chapa Honestidade teve mais de cem votos!

Nota: Com o término disso tudo, eu fui convocado pra escrever no jornal do grêmio, e como todo bom ex-revolucionário, me vendi ao sistema. Apesar disso, só um dos meus textos foi publicado, os outros foram censurados ou "misteriosamente" perdidos.

Nota 2: Aproveitando o espaço, ouçam minha banda.
http://www.tramavirtual.com.br/wildrock

domingo, 10 de janeiro de 2010

Mas você foi aquela onda que eu tentei dropar...

Em um determinado dia do verão de 2002, eu encontrei minha tia Sibele n'um casamento e ela me fez um convite.

-Vamos pra Guarajuba? Xande (meu primo, filho dela) tá lá sozinho com a vó dele (que não é minha avó)!

Em menos de 24 horas, eu me vi em Guarajuba, com uma família que não era a minha. Mas tudo bem.
Meu primo estava iniciando a prática do surf e tentava me incentivar a praticar junto com ele.

-Vamo, man! Surfar é massa, você vai gostar!

Mas eu nunca quis acordar cedo pra ir surfar com ele. Sempre ficava dormindo até mais tarde, esperando ele voltar pra gente jogar uma partida de Magic e mais tarde irmos pra praça jogar Arcade.

Em uma bela tarde tediosa, eu resolvi aceitar a proposta e fui surfar com ele.
Minhas habilidades pra qualquer tipo de esporte são nulas, mas eu estava ali, na praia de Guarajuba com uma prancha e um 'elastique' na mão.
Meu primo foi desenhando na areia o que eu tinha que fazer:

-Quando a onda vier, você nada e fica em pé antes que ela quebre.
-Tá certo...
-Mais cuidado, se você entrar na onda na hora errada, você vai tomar uma vaca.
-Hein?
-Vá!

E eu fui. Entrei no mar juntamente com aquela prancha presa ao meu corpo, fui nadando até que cheguei n'um ponto que meu primo considerava 'ideal'. Fiquei lá esperando vir alguma bendita onda... Esperei... Esperei... Espe...
POW!
A onda me derrubou antes que eu visse da onde ela veio.

-Tem que ficar ligado, rapaz. - Disse meu primo me avisando do perigo.

Eis que a tal da onda veio e eu fui atrás dela, nadei meio desajeitado e na hora que eu fui entrar na onda...
POW! Ela me derrubou, como se a mãe natureza dissesse pra mim "não suba aqui que é perigoso, vá embora, você não nasceu pra isso".
Mas por algum motivo, eu não quis entender o que ela tentou me "dizer" e lá estava eu, pronto pra entrar em outra onda quando... POW!
Lá fui eu água à baixo de novo...

Eis que o pior aconteceu, quando eu fui me levantar, uma onda de cerca de 40 metros me afogou de novo, como eu não tive tempo de respirar, acabei engolindo muita água e areia e pra piorar a situação, a prancha foi parar do outro lado da água.
"Vá embora e não volte nunca mais! É sério, não estou brincando" - Disse a mãe natureza pra mim.
"Ok! Já estou indo, pode ficar sussegada" - Disse eu, me conformando com a situação.

-Aonde você vai? - Perguntou meu primo, quando me viu sair da água.
-Vou ficar na areia, lá eu não corro o risco de morrer afogado.
-Surfar é muito fácil, você que ainda não...
-Não adianta, preciso respirar, acabei de "quase morrer".

Peguei a prancha, deitei na areia e ali fiquei, imóvel, até meu primo sair do mar, duas horas depois...

domingo, 27 de dezembro de 2009

a primeira suspensão, a gente nunca esquece

Primeiramente gostaria de comunicar a todos que mudei o nome do blog.
Contando balela era um nome legal, mas eu ainda me incomodava com ele, por isso resolvi mudar para gastando em alta, em homenagem ao meu amigo Bernardo Queiroz (conhecido popularmente como Berna'Daygon).

No ano de 2003, não sei se já disse isso aqui, mas eu mudei de turno no colégio. Saí do turno da manhã, e da turma que eu estava desde 1997. Mudar e estudar de tarde pode ser uma coisa chata pra todos, muitos me diziam (e dizem) que estudar de tarde é horrível, que você perde o dia todo, não pode fazer mais nada, isso na verdade é um equívoco, pois, tendo um pouco de disciplina e organização, você consegue fazer as mesmas coisas, sem tem que acordar seis horas da manhã (o que sempre um pesadelo pra mim). Mas voltando ao assunto principal desse post, na turma em que eu entrei tinham vários tipos de pessoas, apesar de ser uma turma que não tinha aquelas panelinhas que tem em toda sala, mas os tipos estavam todos ali, um dia eu prometo fazer um post dedicado só aos tipos de pessoas que existem no colégio, mas hoje eu vou falar de um tipo especial: o idiota.

O idiota é aquele cara que nasceu pra ser sacaneado. Ele tem a cara de quem pede um montinho no meio da aula, ou uma bolinha de papel na cabeça enquanto está conversando com alguma menina. Aquele cara que quando nasceu o médico olhou pra ele e deu risada:

-Você é muito imbecil! HAHAHAHAHAHAHA!

Nesta nova turma o idiota se chamava Ian, que recebeu diversos apelidos, os mais populares foram Pipi e Cabeça de Machado.
Um belo dia, meus coordenadores e professores decidiram que a minha turma precisaria de um mapa de sala e, coinhecidentemente ou não, eu ficava ao lado de Ian, um colega meu chamado Gustavo sentava na minha frente e outra pessoa, que não me lembro quem, ficava na frente de Ian.
No dia sete de agosto, quinta-feira, estava eu viajando na maionese na aula de matemática do professor Fernandes, um negão de 2 metros que metia medo em todos os adolescentes de 14 anos.
Estava lá eu, perdido em pensamentos, quando recebo um bilhete de Gustavo:

"Olhe pra Ian, rápido!" - Dizia o bilhete.

Virei minha cabeça pra direita e vi que Ian estava mais viajando que eu, foi uma cena muito engraçada, Ian estava olhando pro professor fixamente com uma cara de "que porra esse cara tá falando?".
Então olhei pra minha borracha e antes que eu pensasse, ela estava saindo da minha mão, em uma trajetória retilínea que teve como alvo a cabeça de Ian, que despertou do seu momento de nirvana e deu um grito, devido ao susto que levou.
Pro meu azar, e pro azar de Gustavo, o professor interrompeu a aula e mandou que eu e Gustavo saíssemos da sala e fossemos pra sala da coordenadora Aline.

-Porque os senhores estão aqui? - Perguntou ela.
-Porque a gente tava perturbando Ian. - Respondi.
-Vocês acham isso bonito? Ficar pertubando o colega no meio da aula? Ele devia estar prestando atenção no assunto e agora? O professor teve que quebrar o raciocínio, parar o que estava explicando, porque vocês queriam fazer gracinha.
-Ian não tava prestando atenção, ele tava viajando.
-Você estava dentro da cabeça dele por acaso?
-Olhem, vocês estão suspensos da aula de matemática amanhã, levem esse papel e tragam assinado, da próxima vez, vocês ficaram suspensos a semana inteira.

Nesse momento eu gelei. Eu sabia que se eu chegasse em casa com um papel de suspensão, meus pais iriam cortar o meu pescoço. Eu pensei em assinar o papel e entregar, pensei em pedir pra algum colega fazê-lo, mas optei pela honestidade.

-Pai, fui suspenso. - Disse assim que cheguei em casa.
-COMO É??????????????? FOI SUSPENSO PORQUE?????????????????????????
Contei a história toda pra ele, que embora estivesse muito revoltado, me deu um desconto porque eu era "réu-primário" e porque contei a verdade. Ele assinou o papel e me fez prometer que nunca mais iria perturbar nenhum colega.
Eu prometi, mas nunca cumpri a promessa...

Nota:
Duas semanas depois, um colega chamado Marcello tentou atingir Ian da mesma forma, só que a diferença é que ele estava do outro lado da sala e a borracha teria de fazer uma parábola.
Resultado: acertou a cabeça da professora de geografia, que até hoje procura quem foi o autor do disparo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Eu vou descer as cataratas n'um barril...

Um dia depois da segunda prova da primeira fase da UFBA do ano passado, eu recebi um telefonema:

-Alô, Lucas?
-Alô, quem fala?
-É Tiago, da S-Video, lembra de mim?
-Diga aí, cara!
-Bem, a gente viu seu teste aqui e queríamos chamar você pra conversar, você pode vir aqui amanhã?
-Posso.

Em setembro eu tinha feito um teste lá e depois de 2 meses de espera (confesso que nem me lembrava mais) eu fui chamado. No outro dia eu estava lá, conversando com meu novo patrão, Anderson. Depois de uns 20 minutos de explicações de como funcionava a empresa, o perfil dos clientes e etc. Ele mandou eu descer pra aprender minhas novas funções.
Fiquei dando uma olhada na locadora, quando um baixinho cabeçudo veio falar comigo, o nome dele era Eduardo.

-E aí, bicho? Você faz o que?
-Engenharia, tô no segundo semestre.
-Ah é? Legal, eu e ele (apontou pro outro funcionário) estamos no segundo semestre, fazemos Sistemas de Informação na Hélio Rocha.

O outro funcionário era aquele que virou uma lenda durante o verão daquele ano. O lendário Victor Costa Ramos, que depois foi apelidado carinhosamente de Vituxo.

Enquanto eles me explicavam o funcionamento da locadora, entrou um gordinho falando pelos cotovelos.

-Porra, man, essa locadora tá uma merda, queriam que eu trabalhasse hoje! Olhe pra isso! Um dia depois da UFBA! Eu preciso descançar! Tá vendo isso aqui? (apontou pro próprio braço, que tinha uma marca roxa) Isso aqui foram ar mulé, porra!

Todos riram e eu fiquei sem entender nada, então ele continuou:

-Olhe (apontou pra mim), vou parar de falar, pra não assustar você.

Eu fiquei sem entender nada do que aquele gordinho falava, mas logo que ele saiu, Victor virou pra mim e disse:

-Esse é Bernardo, ele trabalha aqui.

Nesse dia eu conheci as duas maiores lendas do verão de 2008/2009, eu, Bernardo e Victor. Nós fizemos várias coisas que eu irei lembrar pro resto da minha vida, e talvez um dia eu aprofunde mais aqui no blog.
Fiz essa introdução pra contar de um dos dias mais loucos que já vivi nestes meus 20 anos de existência.

Minha prima paranaense Cristhiane tinha vindo passar o reveillon aqui em Salvador, poucos dias antes, estavamos com ela em uma festa e combinamos de ir a praia. Eu fui dormir na casa de Bernardo e de lá iríamos pra praia logo cedo. Fomos dormir tarde, acordamos cedo, pegamos o ônibus amarelo e fomos.
Fomos à praia de Stella Mares, eu, Cris, Bernardo, Fred e um amigo de Cris.
No meio do caminho, eu me lembrei que naquele dia era o aniversário de uma amiga chamada Irina, que seria comemorado lá no Chuleta mas não dei importância ao fato e fomos a praia.

Enquanto estávamos na praia, Irina me ligou:

-VOCÊ VAI HOJE, NÉ? (Perguntou ela gritando)
-Pô, Riri, não sei... hoje eu tenho que trabalhar 18 horas e eu ainda estou na praia de Stella. (Deviam ser umas 11 horas)
-NÃO QUERO SABER, SE VOCÊ NÃO FOR, EU VOU FICAR MUITO PUTA COM VOCÊ.

Não tinha jeito, eu teria de ir, o aniversário estava marcado pra 15 horas, saímos da praia 13, pegamos o ônibus amarelo de novo e voltamos pra fazer o percursso mais longo que já fiz dentro de um transporte coletivo urbano.
Durante o caminho, todos foram saindo e pra minha sorte, Bernardo tinha aceitado o desafio de sair de Stella Mares 13 horas, passar no Chuleta, e voltar pra Pituba pra trabalhar ás 18. Ao chegarmos no chuleta, não encontramos ninguém.

-Man! Fudeu! Vamos voltar. - Disse Bernardo.
-Não, man. Se eu disser que vim aqui e voltei, é aí que Irina vai me odiar pro resto da vida.
-Mas e daí? Ela não chegou na hora!

Depois de 15 minutos de reflexão sentados no meio-fio, ouvimos umas vozes.
Nossa falta de experiência "chuletística" era tão grande, que nós não sabíamos que o bar tinha dois andares. Ao subirmos as escadas, encontramos quase todo mundo lá, tomando cerveja e rindo alto dos dois imbecis que pensaram que não tinha ninguém.
Depois de algumas cervejas e algumas gargalhadas, pegamos nosso ônibus, e voltamos pra nossas casas, onde iríamos nos aprontar pra trabalhar.
Bernardo deveria estar no trabalho ás 17 horas e eram 17:40 quando ele saiu do ônibus. Eu ainda fui pra casa, tomei banho e peguei uma carona com minha irmã.
Ao chegarmos na locadora, Tiago nos viu, não reclamou do atraso (ele sempre atrasava também) e foi embora. Eduardo também estava lá. Ele deveria ter trocado com Bernardo ás 17 horas, já passavam dás 18:30 e ele estava lá, sorrindo.

Como eu e Bernardo trabalhamos quase sempre juntos, nós já tínhamos vários códigos pra nos referirmos aos clientes, e tínhamos também nossos clientes preferidos.
Um desses clientes preferidos era Stephanie, que ia sempre na locadora acompanhando sua mãe, as duas transbordavam simpatia.

Em um dado momento daquela longa noite de trabalho, um carro parou no estacionamento. Quando a porta abriu, Stephanie saiu de dentro do carro, sozinha.
Depois de um dia tão inimaginável, depois de ir "de farol a farol" de ônibus, algo estava nos recompensando.
Não sei o que a levou a ir sozinha, mas também depois daquele dia, eu nunca mais a vi, nem ela, nem a mãe...
Esse tipo de mistério, a física quântica e toda a humanidade jamais conseguirão desvendar...