Em um determinado dia do verão de 2002, eu encontrei minha tia Sibele n'um casamento e ela me fez um convite.
-Vamos pra Guarajuba? Xande (meu primo, filho dela) tá lá sozinho com a vó dele (que não é minha avó)!
Em menos de 24 horas, eu me vi em Guarajuba, com uma família que não era a minha. Mas tudo bem.
Meu primo estava iniciando a prática do surf e tentava me incentivar a praticar junto com ele.
-Vamo, man! Surfar é massa, você vai gostar!
Mas eu nunca quis acordar cedo pra ir surfar com ele. Sempre ficava dormindo até mais tarde, esperando ele voltar pra gente jogar uma partida de Magic e mais tarde irmos pra praça jogar Arcade.
Em uma bela tarde tediosa, eu resolvi aceitar a proposta e fui surfar com ele.
Minhas habilidades pra qualquer tipo de esporte são nulas, mas eu estava ali, na praia de Guarajuba com uma prancha e um 'elastique' na mão.
Meu primo foi desenhando na areia o que eu tinha que fazer:
-Quando a onda vier, você nada e fica em pé antes que ela quebre.
-Tá certo...
-Mais cuidado, se você entrar na onda na hora errada, você vai tomar uma vaca.
-Hein?
-Vá!
E eu fui. Entrei no mar juntamente com aquela prancha presa ao meu corpo, fui nadando até que cheguei n'um ponto que meu primo considerava 'ideal'. Fiquei lá esperando vir alguma bendita onda... Esperei... Esperei... Espe...
POW!
A onda me derrubou antes que eu visse da onde ela veio.
-Tem que ficar ligado, rapaz. - Disse meu primo me avisando do perigo.
Eis que a tal da onda veio e eu fui atrás dela, nadei meio desajeitado e na hora que eu fui entrar na onda...
POW! Ela me derrubou, como se a mãe natureza dissesse pra mim "não suba aqui que é perigoso, vá embora, você não nasceu pra isso".
Mas por algum motivo, eu não quis entender o que ela tentou me "dizer" e lá estava eu, pronto pra entrar em outra onda quando... POW!
Lá fui eu água à baixo de novo...
Eis que o pior aconteceu, quando eu fui me levantar, uma onda de cerca de 40 metros me afogou de novo, como eu não tive tempo de respirar, acabei engolindo muita água e areia e pra piorar a situação, a prancha foi parar do outro lado da água.
"Vá embora e não volte nunca mais! É sério, não estou brincando" - Disse a mãe natureza pra mim.
"Ok! Já estou indo, pode ficar sussegada" - Disse eu, me conformando com a situação.
-Aonde você vai? - Perguntou meu primo, quando me viu sair da água.
-Vou ficar na areia, lá eu não corro o risco de morrer afogado.
-Surfar é muito fácil, você que ainda não...
-Não adianta, preciso respirar, acabei de "quase morrer".
Peguei a prancha, deitei na areia e ali fiquei, imóvel, até meu primo sair do mar, duas horas depois...
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