domingo, 27 de dezembro de 2009

a primeira suspensão, a gente nunca esquece

Primeiramente gostaria de comunicar a todos que mudei o nome do blog.
Contando balela era um nome legal, mas eu ainda me incomodava com ele, por isso resolvi mudar para gastando em alta, em homenagem ao meu amigo Bernardo Queiroz (conhecido popularmente como Berna'Daygon).

No ano de 2003, não sei se já disse isso aqui, mas eu mudei de turno no colégio. Saí do turno da manhã, e da turma que eu estava desde 1997. Mudar e estudar de tarde pode ser uma coisa chata pra todos, muitos me diziam (e dizem) que estudar de tarde é horrível, que você perde o dia todo, não pode fazer mais nada, isso na verdade é um equívoco, pois, tendo um pouco de disciplina e organização, você consegue fazer as mesmas coisas, sem tem que acordar seis horas da manhã (o que sempre um pesadelo pra mim). Mas voltando ao assunto principal desse post, na turma em que eu entrei tinham vários tipos de pessoas, apesar de ser uma turma que não tinha aquelas panelinhas que tem em toda sala, mas os tipos estavam todos ali, um dia eu prometo fazer um post dedicado só aos tipos de pessoas que existem no colégio, mas hoje eu vou falar de um tipo especial: o idiota.

O idiota é aquele cara que nasceu pra ser sacaneado. Ele tem a cara de quem pede um montinho no meio da aula, ou uma bolinha de papel na cabeça enquanto está conversando com alguma menina. Aquele cara que quando nasceu o médico olhou pra ele e deu risada:

-Você é muito imbecil! HAHAHAHAHAHAHA!

Nesta nova turma o idiota se chamava Ian, que recebeu diversos apelidos, os mais populares foram Pipi e Cabeça de Machado.
Um belo dia, meus coordenadores e professores decidiram que a minha turma precisaria de um mapa de sala e, coinhecidentemente ou não, eu ficava ao lado de Ian, um colega meu chamado Gustavo sentava na minha frente e outra pessoa, que não me lembro quem, ficava na frente de Ian.
No dia sete de agosto, quinta-feira, estava eu viajando na maionese na aula de matemática do professor Fernandes, um negão de 2 metros que metia medo em todos os adolescentes de 14 anos.
Estava lá eu, perdido em pensamentos, quando recebo um bilhete de Gustavo:

"Olhe pra Ian, rápido!" - Dizia o bilhete.

Virei minha cabeça pra direita e vi que Ian estava mais viajando que eu, foi uma cena muito engraçada, Ian estava olhando pro professor fixamente com uma cara de "que porra esse cara tá falando?".
Então olhei pra minha borracha e antes que eu pensasse, ela estava saindo da minha mão, em uma trajetória retilínea que teve como alvo a cabeça de Ian, que despertou do seu momento de nirvana e deu um grito, devido ao susto que levou.
Pro meu azar, e pro azar de Gustavo, o professor interrompeu a aula e mandou que eu e Gustavo saíssemos da sala e fossemos pra sala da coordenadora Aline.

-Porque os senhores estão aqui? - Perguntou ela.
-Porque a gente tava perturbando Ian. - Respondi.
-Vocês acham isso bonito? Ficar pertubando o colega no meio da aula? Ele devia estar prestando atenção no assunto e agora? O professor teve que quebrar o raciocínio, parar o que estava explicando, porque vocês queriam fazer gracinha.
-Ian não tava prestando atenção, ele tava viajando.
-Você estava dentro da cabeça dele por acaso?
-Olhem, vocês estão suspensos da aula de matemática amanhã, levem esse papel e tragam assinado, da próxima vez, vocês ficaram suspensos a semana inteira.

Nesse momento eu gelei. Eu sabia que se eu chegasse em casa com um papel de suspensão, meus pais iriam cortar o meu pescoço. Eu pensei em assinar o papel e entregar, pensei em pedir pra algum colega fazê-lo, mas optei pela honestidade.

-Pai, fui suspenso. - Disse assim que cheguei em casa.
-COMO É??????????????? FOI SUSPENSO PORQUE?????????????????????????
Contei a história toda pra ele, que embora estivesse muito revoltado, me deu um desconto porque eu era "réu-primário" e porque contei a verdade. Ele assinou o papel e me fez prometer que nunca mais iria perturbar nenhum colega.
Eu prometi, mas nunca cumpri a promessa...

Nota:
Duas semanas depois, um colega chamado Marcello tentou atingir Ian da mesma forma, só que a diferença é que ele estava do outro lado da sala e a borracha teria de fazer uma parábola.
Resultado: acertou a cabeça da professora de geografia, que até hoje procura quem foi o autor do disparo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Eu vou descer as cataratas n'um barril...

Um dia depois da segunda prova da primeira fase da UFBA do ano passado, eu recebi um telefonema:

-Alô, Lucas?
-Alô, quem fala?
-É Tiago, da S-Video, lembra de mim?
-Diga aí, cara!
-Bem, a gente viu seu teste aqui e queríamos chamar você pra conversar, você pode vir aqui amanhã?
-Posso.

Em setembro eu tinha feito um teste lá e depois de 2 meses de espera (confesso que nem me lembrava mais) eu fui chamado. No outro dia eu estava lá, conversando com meu novo patrão, Anderson. Depois de uns 20 minutos de explicações de como funcionava a empresa, o perfil dos clientes e etc. Ele mandou eu descer pra aprender minhas novas funções.
Fiquei dando uma olhada na locadora, quando um baixinho cabeçudo veio falar comigo, o nome dele era Eduardo.

-E aí, bicho? Você faz o que?
-Engenharia, tô no segundo semestre.
-Ah é? Legal, eu e ele (apontou pro outro funcionário) estamos no segundo semestre, fazemos Sistemas de Informação na Hélio Rocha.

O outro funcionário era aquele que virou uma lenda durante o verão daquele ano. O lendário Victor Costa Ramos, que depois foi apelidado carinhosamente de Vituxo.

Enquanto eles me explicavam o funcionamento da locadora, entrou um gordinho falando pelos cotovelos.

-Porra, man, essa locadora tá uma merda, queriam que eu trabalhasse hoje! Olhe pra isso! Um dia depois da UFBA! Eu preciso descançar! Tá vendo isso aqui? (apontou pro próprio braço, que tinha uma marca roxa) Isso aqui foram ar mulé, porra!

Todos riram e eu fiquei sem entender nada, então ele continuou:

-Olhe (apontou pra mim), vou parar de falar, pra não assustar você.

Eu fiquei sem entender nada do que aquele gordinho falava, mas logo que ele saiu, Victor virou pra mim e disse:

-Esse é Bernardo, ele trabalha aqui.

Nesse dia eu conheci as duas maiores lendas do verão de 2008/2009, eu, Bernardo e Victor. Nós fizemos várias coisas que eu irei lembrar pro resto da minha vida, e talvez um dia eu aprofunde mais aqui no blog.
Fiz essa introdução pra contar de um dos dias mais loucos que já vivi nestes meus 20 anos de existência.

Minha prima paranaense Cristhiane tinha vindo passar o reveillon aqui em Salvador, poucos dias antes, estavamos com ela em uma festa e combinamos de ir a praia. Eu fui dormir na casa de Bernardo e de lá iríamos pra praia logo cedo. Fomos dormir tarde, acordamos cedo, pegamos o ônibus amarelo e fomos.
Fomos à praia de Stella Mares, eu, Cris, Bernardo, Fred e um amigo de Cris.
No meio do caminho, eu me lembrei que naquele dia era o aniversário de uma amiga chamada Irina, que seria comemorado lá no Chuleta mas não dei importância ao fato e fomos a praia.

Enquanto estávamos na praia, Irina me ligou:

-VOCÊ VAI HOJE, NÉ? (Perguntou ela gritando)
-Pô, Riri, não sei... hoje eu tenho que trabalhar 18 horas e eu ainda estou na praia de Stella. (Deviam ser umas 11 horas)
-NÃO QUERO SABER, SE VOCÊ NÃO FOR, EU VOU FICAR MUITO PUTA COM VOCÊ.

Não tinha jeito, eu teria de ir, o aniversário estava marcado pra 15 horas, saímos da praia 13, pegamos o ônibus amarelo de novo e voltamos pra fazer o percursso mais longo que já fiz dentro de um transporte coletivo urbano.
Durante o caminho, todos foram saindo e pra minha sorte, Bernardo tinha aceitado o desafio de sair de Stella Mares 13 horas, passar no Chuleta, e voltar pra Pituba pra trabalhar ás 18. Ao chegarmos no chuleta, não encontramos ninguém.

-Man! Fudeu! Vamos voltar. - Disse Bernardo.
-Não, man. Se eu disser que vim aqui e voltei, é aí que Irina vai me odiar pro resto da vida.
-Mas e daí? Ela não chegou na hora!

Depois de 15 minutos de reflexão sentados no meio-fio, ouvimos umas vozes.
Nossa falta de experiência "chuletística" era tão grande, que nós não sabíamos que o bar tinha dois andares. Ao subirmos as escadas, encontramos quase todo mundo lá, tomando cerveja e rindo alto dos dois imbecis que pensaram que não tinha ninguém.
Depois de algumas cervejas e algumas gargalhadas, pegamos nosso ônibus, e voltamos pra nossas casas, onde iríamos nos aprontar pra trabalhar.
Bernardo deveria estar no trabalho ás 17 horas e eram 17:40 quando ele saiu do ônibus. Eu ainda fui pra casa, tomei banho e peguei uma carona com minha irmã.
Ao chegarmos na locadora, Tiago nos viu, não reclamou do atraso (ele sempre atrasava também) e foi embora. Eduardo também estava lá. Ele deveria ter trocado com Bernardo ás 17 horas, já passavam dás 18:30 e ele estava lá, sorrindo.

Como eu e Bernardo trabalhamos quase sempre juntos, nós já tínhamos vários códigos pra nos referirmos aos clientes, e tínhamos também nossos clientes preferidos.
Um desses clientes preferidos era Stephanie, que ia sempre na locadora acompanhando sua mãe, as duas transbordavam simpatia.

Em um dado momento daquela longa noite de trabalho, um carro parou no estacionamento. Quando a porta abriu, Stephanie saiu de dentro do carro, sozinha.
Depois de um dia tão inimaginável, depois de ir "de farol a farol" de ônibus, algo estava nos recompensando.
Não sei o que a levou a ir sozinha, mas também depois daquele dia, eu nunca mais a vi, nem ela, nem a mãe...
Esse tipo de mistério, a física quântica e toda a humanidade jamais conseguirão desvendar...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Não foi preciso ir ao shopping...

O ano de 2003 foi um divisor de água na minha vida. Acho que minha história é dividida em antes e depois desse ano.
Por alguns motivos que prefiro manter ocultos, eu mudei de turno no colégio.
A turma que eu estudei durante 6 anos estava ficando pra trás, e agora era hora de desbravar novos horizontes.
O colégio em que eu estudava parecia ser dividido em dois, de manhã era um colégio, e de tarde, outro, de igual só a farda mesmo, porque as pessoas e a "vibe" eram completamente opostas.
Estudar de tarde era muito mais legal, por ter menos turmas e menos alunos, as pessoas se conheciam, não só os alunos, mas os funcionários e professores também conheciam os alunos, isso dava um astral muito melhor, as minhas tardes passaram a ser muito mais agradáveis.
Nesse mesmo ano eu conheci Lílian e Marília. Em pouco tempo, eu, Lílian e Marília viramos grandes amigos, quase carne e unha, passávamos sempre as tardes juntos, com certeza foi uma excelente época.
Em um certo dia, Lílian disse estar viciada em uma música:

-O nome é Meu Primeiro All-Star, baixe é muito massa!

Como eu estava sendo iniciado no punk rock world, resolvi procurar pela tal banda. Cheguei em casa, entrei no saudoso mIRC e pedi pra Paulo Sérgio, irmão de Lílian e conhecido como MoiC4No_, me passar as músicas daquela banda que a irmã dele tanto falava.
Lembro que ele me passou links pra baixar Meu Primeiro All-Star, 43 e Copo D'Água, que eu não sabia, mas era do primeiro disco deles em português, o Taito.
Depois desse dia eu viciei. Baixei várias músicas (essa era a época de download de mp3 aleatórias) e fiquei ouvindo aquelas músicas por um bom tempo.

No final do ano de 2004, eu fui convidado a integrar uma banda com uns amigos, essa banda iria tocar músicas do Carbona, e foi aí que o vício começou.
Começei a ouvir várias músicas, caçei todos os discos no Soulseek, mp3s de músicas nunca lançadas, depois comprei todos os discos, dentre outras coisas. Viciei e nunca mais deixei de ouvir.

Muitas pessoas me julgam (sem motivo) por ser tão fã assim, dizem que Carbona é uma merda, que é chato, perguntam como eu consigo ouvir sempre as mesmas músicas com as mesmas notas.
A resposta é óbvia: Eu parto do princípio que a música tem que ser boa, independente de qualquer coisa.
O carbona, na minha opinião, é uma banda que tem melodias simples porém muito bonitas e energicas! A banda ao vivo é sensacional! Uma vibe da porra!
Pra mim rock é isso. É energia! Distorção no talo, baixo sem farofar e bateria reta!
Aquilo de sempre, exatamente como Joey, Dee Dee e CIA ensinaram. =)

domingo, 1 de novembro de 2009

I've been working like a dog

Como estou muito aterafado devido ao projeto da faculdade, vou contar uma que me aconteceu ontem.

Na minha faculdade, todo semestre temos que fazer um projeto interdisciplinar, e nesse semestre não está sendo diferente. Essa semana, eu e meu colega Alexandre estávamos terminando a nossa parte. Na quinta e na sexta, eu fiquei mais tempo na faculdade do que em casa, fazendo circuito, pensando, discutindo, brigando, errando e acertando. Nessa brincadeira de errar e acertar, queimamos um CI.

-Man, não vai funcionar mais, temos que comprar outro que suporte mais corrente. - Disse Alexandre.
-Vá lá enquanto eu termino aqui o que temos que fazer. - Disse eu.

Alexandre foi e voltou com o novo CI. Nós testamos e não funcionou, já eram 11:20. Eis que um professor maluco apareceu do nada no laboratório e começou a falar.

-Faça isso usando relé.

E começou a explicar pra Alexandre enquanto eu tentava de todas as formas consertar, sem sucesso, o nosso problema. Então Alexandre saiu voando da faculdade e foi comprar o bendito relé. Ao chegar na loja, não tinha o que a gente precisava e ele voltou.

-Fudeu. - Disse ele.
-Fudeu. - Disse eu.

Nessa hora o funcionário da faculdade entrou no laboratório e mandou a gente sair porque já era hora de ir embora. Desmontamos nossa pequena bagunça e voltamos pra casa. Voltei cabisbaixo e pensativo. Pensei em tudo que fizemos pelo projeto, o quanto nos dedicamos, quanta aflição passamos pois pedimos coisas pela internet que demoraram uma semana pra ser colocado no correio, pensei na possível nota baixa que tiraríamos... Isso tudo no velho Lapa/Pituba, a caminho de casa.
Cheguei em casa e fiquei pensando naquilo, o céu parecia estar mais cinza estava, fiquei apreensivo. Então eu entrei no MSN e o meu amigo Daniel falou comigo:

Daniel..."As var diz: como andam as coisas?
Kisso (H) -> hor diz: na mesma, nem tentei avançar
Daniel..."As var diz: pq seu vagal?

Nessa hora eu pensei naquele discursso incentivador ridículo:

"Vamo lá! Você nem tentou direito ainda!"

Então eu tentei, fiz um bilhão de testes, finalmente detectei a raíz do problema e resolvi. O motor girou e eu dei um eufórico "PORRA!" pra me livrar de toda aquela tensão.
Pouco tempo depois, meu pai me chamou pra ir ao shopping comprar uma calça social, pois a minha ficou apertada, compramos a calça e quando estávamos saindo uma mulher fazendo propaganda da UNIME me parou.

-Oi, você conhece a UNIME?
-Conheço de nome, mas não tenho interesse em, já faço faculdade.
-E você tem certeza que é a faculdade que você gosta?
Pensei por 2 segundos e olhando no fundo dos olhos dela, disse:
-Mais certeza do que a certeza que você tem que eu estou na sua frente.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Figuras Lendárias - Mica

Das figuras lendárias que já conheci e que habitaram esse mundo, Mica é a minha referência, com certeza.
Mica era um homem que habitava o prédio que fica atrás do meu. Um homem derrotado, com uma vida infeliz, porém que foi querido por todos os condôminos daqui.

Me lembro que um dos primeiros "amigos" que fiz aqui quando cheguei foi o filho dele, Antônio. Antônio começou sendo legal, mas depois virou um carinha insuportável que um certo dia me ameaçou com um canivete, e o pior, sem nenhum motivo aparente. Ele tinha uns 7 anos. Foi ele também quem me mostrou uma revista de mulher pelada pela primeira vez.

Mica era um homem muito prestativo, sempre que alguém pedia um favor pra ele, ele fazia de bom coração, já o vi carregando compras, consertando um monte de coisas distintas, limpando a quadra...
Mica se tornou uma lenda devido aos burburinhos que rolavam sobre ele. Já ouvi e presenciei alguns desses fatos. O primeiro que eu ouvi, e que parece ser verdade mesmo é que Mica foi um homem rico, bem casado e dono de muitas terras em Senhor do Bonfim, mas perdeu tudo por causa do álcool.
Diziam também que ele tinha umas filhas do seu casamento morando nos Estados Unidos e tudo e Antônio foi fruto de uma relação nunca assumida de Mica com a faxineira do apartamento vizinho ao dele.
Me lembro de tê-lo visto algumas vezes vestido com um terno branco e uma camisa de taxista completamente embriagado e dizendo:

-Vou pro casamento de João (não me lembro qual era o nome).
-Mas Mica, João casou tem uns 15 anos.
-Não importa, eu vou de novo. - Dizia ele com plena convicção do que estava fazendo.

Outros fatos curiosos que já contaram sobre ele:
1-Ele vendeu Antônio pra comprar cachaça.
2-Entrou no mercado montado n'um cavalo.
3-Desceu o morro daqui dentro de um tunel.

Eu sempre achava que tudo isso era lenda, até que o destino mostrou pra mim que era possível que tudo fosse verdade. Um dia em que eu estava na quadra soltando traques quando ele apareceu. Era época de São João.

-Olhem o que eu comprei! - E mostrou uma bomba "de mil".
-Ohhhhh! - Fizeram todas as crianças.
-Tampem seus ouvidos que eu vou soltar. - Acendeu a bomba com o cigarro e jogou a bomba.
-BUM!!!!!!!!!! - Disse a bomba ao ser explodida.
-Vou soltar a outra. - Acendeu a bomba com o cigarro e jogou o cigarro.

Ao perceber que tinha jogado o objeto errado, ele jogou a bomba, que explodiu antes que ele pudesse tampar os ouvidos. Acabou ficando 15 dias com o ouvindo "zunindo" e queimou um pouco do dedo pois a explosão foi bem próxima.

Uma vez me lembro de ter ido com alguns amigos buscar alguma coisa na casa dele. Eram oito da manhã e eu devia ter uns 10 anos.

-Mica, o que é isso? - Perguntou alguém inocentemente ao ver uma bombinha de Caninha da Roça em cima da mesa.
-É cachaçaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. - Disse ele, bebeu um gole e começou a cantar. -DOCINHO, DOCINHO... TCHÁ-TCHÁ-TCHÁ! DOCINHO DE COCO, DE MORANGO E DE CAJÚ! VEM PRA CÁ, QUE EU QUERO TE BEIJAR!

Um dia Fausto e Iuri estavam sentados no nosso "point", o prédio que chove bala (nome dado devido ao senhor que sempre jogava uma balinha pra galera), quando Mica passou, subindo a ladeira, arrastando uma caixa de papelão com grande esforço. Devido a força que ele fazia, Iuri e Fausto observavam a cena pensando que ali dentro tinha uma coisa muito pesada.
Até a hora que uma leve ventania passou e levou a caixa.

No dia 23 de dezembro de 2006, o céu amanheceu escuro, uma nuvem negra pairava sobre nossa humilde residência. Acordei e entrei no MSN, Iasmin, irmã de Iuri, veio falar comigo:

-Kissão? Você soube?
-Não, o que aconteceu?
-Mica morreu.

No primeiro ano, na aula de Filosofia, o professor sempre perguntava "quem somos? de onde viemos? e pra onde vamos?", eu sempre achei aquela aula uma babaquice, mas naquela hora, tudo começou a fazer sentido. Eu não sei ao certo quem ele era, nem de onde veio, nem pra onde foi mas espero que hoje em dia Mica esteja n'um lugar melhor e que esteja feliz! Longe daquela maldita cachaça que acabou com a sua vida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Figuras Lendárias - Márcio Gambá

Nesses treze anos que moro aqui, várias figuras lendárias já apareceram por essas bandas, cada um com sua peculiaridade. Hoje irei falar sobre uma delas, o lendário Márcio Gambá.

Márcio era um menino negro cuja mãe fazia faxina em alguma(s) casas daqui, ele sempre acompanhava ela provavelmente porque a mãe dele não tinha com quem deixá-lo, Márcio era conhecido por todos, principalmente por ele sempre ter uma bola pra jogar. Por ser conhecido por todos, acabava sempre ganhando roupas e brinquedos usados. Eu o conheci em 1999.

A mãe de Márcio era uma figura também. Devido a sua falta de instrução, ela já não tinha mais nenhum dente e os que lhe restavam eram completamente cheios de gosmas. Ela era tinha uma voz mansa e usava sempre um pano na cabeça, típica faixineira.

Lembro de ter conhecido Márcio na casa de um menino chamado Victor(não o mesmo da história do meu primeiro porre).

-E aí, Márcio? Vamos brincar lá fora?
-Não posso, minha mãe vai passar aqui daqui a pouco.
-Ahhh, bora, Márcio!
-Tá bom.

Uma hora depois:

-Máárcio, eu te procurei por todo condomínio!
-Desculpe, mãe!
-Você sabe que eu não posso ficar andando isso tudo!
-Desculpe, vamos pra casa.

No fundo, eu sempre tive um pouco de pena dele.

Com o passar do tempo, Márcio foi crescendo. E o tempo trouxe também uma das suas características mais marcantes e também razão do seu apelido: o mal cheiro.
Depois de vinte minutos do "baba", ninguém suportava mais ficar perto de Márcio.
Tanto que a galera sempre deixava ele na "de fora" e sentado sozinho no banco, porque sempre que ele tava jogando, seu fedor espantava os jogadores dos dois times.
Lembro de uma vez que estavamos jogando bola com ele e Iuri se trombou com ele durante o jogo, isso foi mais ou menos em 2001, eu e Iuri eramos apenas conhecidos. No dia seguinte, eu e Fausto encontramos com Iuri passeando com seu cachorro, o hoje já falecido, Kim (que Deus o tenha).

-Porra, man, depois daquela dividida com Márcio, meu braço ficou fedendo o dia todo! Tá fedendo tá agora! - Disse Iuri.
Eu e Fausto rimos.
-É sério! Lavei centenas de vezes no banho e continua fedendo.

Um dia a situação estava tão periclitante que alguém teve a brilhante idéia de dar um banho em Márcio.

-O plano é o seguinte, a gente vai bater o baba e quando a quadra tiver cheia, a gente sai de fininho, vem aqui, pega tudo que a gente precisa e dá o banho nele. - Disse um dos mentores.
-Mas ele vai sair correndo! - Observou alguém.
-Alguém tem que segurá-lo. - Acresentaram.
Nesse momento um breve silêncio pairou no ar.
-Eu seguro! - Disse um dos soldados.

Então o plano foi posto em prática. Todos na quadra conforme o combinado e eis que chega Márcio.

-Vamo jogar?
-Vamos, a gente 'tava' esperando você!

Como sempre tinha muita gente pra jogar, o início do plano deu certo. Saímos 'de fininho' e fomos pra casa de um dos mentores preparar o "coquetel molotov".

-Peguei aqui, ó. Balde, sabão e água.
-Tá pouco, pegue Q-Boa também.
-Q-boa?
-É, minha mãe sempre usa pra tirar o fedor das roupas.

Eis que volta o mentor com milhares de produtos de limpeza: Água sanitária, detergente, desinfetante, sabão em pó, amaciante, Pinho-Sol...
Então colocamos tudo no balde e a partir desse momento, o plano começou a dar errado.

-Não vou mais segurar ele não.
-PORQUE???? - Disseram todos.
-Você viu como ele tava fedendo?? Eu vou ter que tomar vinte banhos com essa mistura aí pra sair o fedor de mim.
-É verdade? E agora?
-Vamos jogar 'na tora' mesmo.

Depois disso, todos foram pra quadra jogar o "coquetel molotov" em Márcio, que ao ver que se aproximavam dele com aquele balde, deu uma de Cascão quando ouve um "CABRUN!" e saiu disparado.

-Eu falei que era pra segurar!!!
-Agora já era!

Então jogamos toda aquela mistura homogênea no matinho que ficava próximo a quadra. E todos foram pra suas casas tristes com a missão mal sucedida.
No dia seguinte, o matinho apareceu seco e as plantinhas que ficavam ao redor, todas mortas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Se alguém o vir parado, eu sinto muito.

Hoje eu acordei cedo pra ir a faculdade e minha mãe sugeriu (ordenou) que eu fosse no cartório autenticar uns documentos pra ela.
Isso me lembrou do grande trauma que eu tenho com idas ao cartório. Após alguns minutos de diálogo (discussão), ela cedeu e pediu pra outra pessoa ir.

N'um determinado dia das minhas férias de 2006, minha mãe pediu que eu fosse pra ela ao cartório. Como eu era inexperiente no ramo, aceitei e pedi pra ela me levar lá.
Cheguei logo após o almoço, umas treze horas e já tinha uma boa quantidade de pessoas na porta. Tinha um guarda também:

-Como eu faço pra ser atendido? - Perguntei inocentemente.
-Entre aí, pegue uma senha e aguarde.

Entrei e logo ao lado dos caixas tinha um balcão com alguns papéis, cada um deles era uma senha, olhei pro painel eletrônico e ele marcava o número 32.
Olhei pr'as senhas e a menor delas era 184.
Olhei de novo pra ter certeza que minha empregada não tinha colocado algum alucinógeno na minha comida e voltei pra falar com o guarda.

-Esse painel tá com problema?
-Não, ele tá certo! Vá dar um passeio pelas redondezas que acho que vai demorar.

"Acho que vai demorar? VAI DEMORAR PRA CARALHO!" - Pensei.

O cartório fica dentro de um mini-shopping chamado Pituba Park Center, esse mini-shopping faz parte de um "complexo de mini-shoppings" chamado de Tricenter. E se você sair do shopping e atravessar a rua, você ainda pode passear pelo shopping Itaigara.

Rodei o Tricenter e o shopping Itaigara duas vezes, dando uma olhada superficial pelas vitrines e olhei algumas revistas na banca. Olhei pro relógio e já tinham passado quarenta minutos. Voltei pro cartório e ele ainda marcava 60.
Voltei pro meu passeio olhando cuidadosamente todas as lojas, lendo matérias inteiras nas revistas, olhando os preços das cervejas no mercado, observando os diversos tipos de pessoas que passavam e após uma hora e meia, voltei.
100.
"Pelo menos já andou um pouquinho mais" - Pensei buscando conforto.

Resolvi ligar pra minha mãe dizendo que ia embora, mas que voltaria no outro dia mais cedo pra ser atendido mais rápido.

-NEM PENSE NISSO! EU PRECISO DISSO PRA AMANHÃ. - Disse ela gritando.

Após desligar o telefone, encontrei meu primo Rodrigo.

-E aí, meu velho? Veio fazer o que aqui? - Perguntei.
-Vim autenticar uns documentos no cartório.
-Eu também! Qual a sua senha? - Perguntei na ânsia de ele responder uma senha que estava mais perto.
-196.
-Vixi! A minha é 184.
-Vou autenticar quando você for, vamos dar um passeio?

Rodamos de novo pelos shoppings, tomamos uma água de coco e voltamos pra ver qual o número.
120.
Já cansado, morrendo de tédio e de raiva, pois tinham 6 guichês e 2 atendentes. Eu resolvi ficar lá sentado esperando.
É impressionante que em todo lugar é assim, sempre tem 23759285824 guichês e um ou dois atendentes, deve ser pra iludir a pessoa que pensa que um dia ela pode chegar lá e todos os guichês estarem preenchidos. Sonho.

Após mais quase duas horas de espera, finalmente chamaram meu número.
No guichê, uma atendente gorda e mal humorada me recebeu:

-Quer fazer o que? - Disse ela de maneira rude.

Expliquei pra ela tudo o que queria e ela fez tudo de cara amarrada e sem dar nenhum sorriso.

-Trabalhar aqui é um saco, né?
-Você não sabe o quanto.
-Pior seria se a senhora trabalhasse no pernoitão da LIMPURB.

Ela deu um sorriso amarelo e disse que estava pronto.
Após quatro horas, eu estava livre novamente e meu primo ainda me deu uma carona pra casa.
Três dias depois, minha mãe chega pra mim e diz:

-Te dei os papéis errados pra você autenticar, preciso que você vá lá de novo.

Após horas de diálogo (discussão e chantagem), eu fui. Mas cheguei cedo e só tive de esperar 6 pessoas.

sábado, 24 de outubro de 2009

Numa tarde ensolarada toda aquela criançada tomando refrigerante...

O dia primeiro de novembro é um dia estranho pra mim. Nesse dia é o aniversário da minha primeira bebedeira, o dia em que as portas do paraíso/inferno da cachaça se abriram pra mim e uma voz ecoou lá de dentro:
-Venha, meu filho.
E eu fui.

Aparentava ser um sábado comum no ano de 2003, fui a Lan House com meus amigos depois de uma bela partida de Magic e na volta me encontrei com Iuri e com um amigo dele, que chamaremos aqui de Juquinha. Juquinha era o típico amigo mal-influente, aos 14 anos ele já era maconheiro, bebia e ouvia uma música do diabo chamada de Rock.
Alguns dias (ou meses, não me lembro bem) Iuri tinha ido ao aniversário de Juquinha, onde ele ficou ébrio bebendo aquele vinho enorme chamado de Sangue de Boi. Nesse dia eles pareciam querer repetir a dose:
-E aí, Lucas (Kissão dava seus primeiros passos), vamos beber?
Depois de alguns segundos sem responder nada, eu disse:
-Vamo nessa.
Eu tinha 14 anos, Iuri e Juquinha, 15. A gente não conseguiria comprar nem uma lata de cerveja no mercado da esquina, só que Juquinha, como já era experiente no ramo, pediu pra um taxista comprar pra ele duas garrafas de São Jorge.
-Eu tomo uma e vocês dois tomam a outra.
Pelo menos ele tinha sido sensato e não nos deixou beber uma garrafa cada um. Voltamos pro condomínio onde eu e Iuri moravamos (e eu moro até hoje) e nos escondemos atrás de um prédio, em uma rua que não tem muito movimento.
-É a primeira vez que você bebe, né? - Perguntou Juquinha.
-Pra ficar bêbado, é. - Respondi na lata.
Então começamos, quem já bebeu São Jorge, sabe o que eu tô dizendo, parece que cada garrafa tem um vinho diferente. Tem garrafas que tem gosto de álcool puro, tem garrafas que tem gosto de suco de uva, tem garrafas cujo gosto não tem nada comparável... Com o perdão do trocadilho, é um vinho de lua.
Parece que o vinho do santo guerreiro estava de bom humor naquele dia. Ele estava com um gosto muito agradável e em um determinado momento, Juquinha equiparou as garrafas e disse:
-Virem aí.
Eu e Iuri nos entreolhamos e bebemos aquela bebida roxa de "gut-gut". O álcool parecia estar subindo à mente quanto Juquinha falou:
-Esperem aí.
E saiu.
Eu e Iuri ficamos lá meio tontos e sem saber direito o que estava acontecendo, quando Juquinha voltou e disse:
-Tomem, bebam isso aí.
Ele tinha comprado três latinhas de Bavaria, uma pra cada. Bebemos tudo bem rápido pra não levantar suspeitas do pessoal do prédio e fomos levar Juquinha na frente do condomínio pois o pai dele estava pra chegar. No caminho, eu já fui trocando as pernas, eu já tava bastante tonto. Se fosse hoje em dia, após quase 6 anos, eu não estaria nem um pouco espantado com nada, mas, naquele dia, aquilo tudo parecia surreal.
-É assim que a gente fica bêbado? - Pensei.

Ficamos sentados n'um batente esperando o pai de Juquinha, quando uma moça chegou. É impressionante que quando a gente quer esconder alguma coisa, mas testemunhas aparecem.
-Vocês podem segurar meu cachorro enquanto eu entro na farmácia?
-Podemos.
E ficamos lá, esperando o pai de Juquinha e segurando o cão da senhora.
O pai de Juquinha chegou, a moça voltou e eu e Iuri entramos no condomínio.

Logo na entrada, encontramos um amigo nosso chamado Victor. Victor conversava bastante com a gente sobre isso de beber, mas na hora em que a gente resolveu ir, ele tinha sumido. Victor falou algumas coisas que eu não me lembro mais, e nós fomos em direção a casa dele, eu e Iuri completamente ébrios e falando um monte de coisa sem sentido. Como Iuri era o mais velho da turma, todo o resto ficou olhando pra gente com cara de "vou contar pra sua mãe". E alguém fez algo parecido e contou à Iasmin, a irmã de Iuri. Ela apareceu do nada e disse:
-Iuri, minha mãe tá lhe chamando.
-Porra, Iasmin, eu não vou pra casa não.
-IURI, MINHA MÃE TÁ LHE CHAMANDO.
E ele foi pra casa, mas disse que não ia demorar e pediu que esperássemos na entrada do prédio dele.

Eu sou um cara chato. Não converso muito tempo com pessoas que eu não conheço. Mas, pra aumentar o número de testemunhas desse dia, fiquei conversando com uma senhora que estava sentada na frente do prédio de Iuri. Por sinal, depois daquele dia, nunca mais eu a vi sentada ali.
Ela havia acabado de trocar de apartamento com o filho, pois o dela era no primeiro andar e o do filho no térreo e, devido a idade, ela não poderia mais subir escada. Aqui no condomínio, todos os prédio são de escada. E como o outro filho dela morava naquele mesmo prédio, as coisas ficariam mais fáceis.

Iuri tomou um esporro e foi deitar. Depois de sentir sua cama girar com mais ou menos 900 RPM, começou a vomitar. Começou vomitando no quarto, passou vomitando pelo corredor e terminou sua vomitada no banheiro. Segundo o relato do mesmo, até pedaço de uva saiu.

Eu voltei pra casa, logo após a mãe de Iuri dizer que ele não ia mais sair e que Juquinha nunca mais voltaria lá.
Ao chegar nas proximidades do meu prédio, eu me lembrei que era aniversário do filho do meu vizinho e que milhares de pessoas, incluindo meu pai, estariam no playground. Se eu fosse um pouquinho mais experiente no ramo, passaria por ali como se nada tivesse acontecendo, mas passei correndo e subi em 5 segundos a escada que geralmente eu subo em 30.
Cheguei em casa, sentei em frente a privada e botei tudo pra fora. Aquela foi uma das poucas vezes em que eu vomitei, acho que de lá até aqui, eu só vomitei mais umas 3 vezes, devido a bebedeira. Depois de vomitar, eu fui tomar um banho, liguei o chuveiro e fiquei deitado no chão do banheiro. Meu pai chegou e bateu na porta:

-Lucas, você está bem?
-...
-Lucas?

Sempre foi mais fácil de esconder de meu pai o meu estado. Não sei se ele faz vista grossa, ou se ele não percebe mesmo. As únicas vezes que eu tomei esporro dele, foi porque minha mãe ficou apertando a mente dele pra que ele apertasse a minha. Mas minha mãe tava em Recife, pra minha sorte.
Na minha casa tem dois banheiros, de um banheiro tem um buraco que, se você subir n'um banco, dá pra ver o outro.
Como não obteve resposta, meu pai olhou pelo buraco pra ver o que tava acontecendo, eu tava deitado no chão do box, com a bunda pra cima:

-OW RAPAZ, TÁ DORMINDO AÍ?
-...é...peguei no sono...
-LEVANTE, VÁ PRA SUA CAMA E PARE DE GASTAR ÁGUA, porque você subiu correndo?
-tô com dor de barriga, daqui a pouco passa.

Ao deitar na cama, eu senti a mesma coisa que Iuri, a cama rodava em torno do seu próprio eixo, mas com 450 rpm. Rapidamente peguei no sono e no outro dia acordei com meu pai batendo na porta do quarto:
-Levante que a gente vai buscar sua mãe no aeroporto.

Meu pai foi na frente e eu e minha irmã ficamos sozinhos por um instante:

-Fiquei bêbado ontem.
-Sério? - ela riu - Como foi?
-É.. foi legal.. - e contei a história pra ela.
-Meu pai descobriu?
-Ainda não.

Liguei pra Iuri depois que cheguei do aeroporto, prometemos que nunca mais beberíamos. Uma semana depois, Iuri foi pra um 15 anos, onde tomou umas cervejas.

Alguns meses depois, a mãe de Iuri conheceu a minha e contou tudo pra ela. Minha mãe e meu pai me deram um esporro, mas nada demais... O flagrante teria sido pior. As portas do inferno/paraíso já estavam abertas e esse foi o primeiro passo...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Five Days a Week

Pegar ônibus é uma merda. Pegar o mesmo ônibus todo dia, é uma merda maior ainda. Pegar o mesmo ônibus, todos os dias, no mesmo calor, mesmo engarrafamento e a mesma promessa de acordar mais cedo, é fatal!

Hoje eu acordei mal-humorado. Raramente isso acontece, mas hoje não sei o que foi, acho que acordei com o pé esquerdo. Entrei no ônibus, e sentei no meu lugar de costume... Ás 7:20 da manhã de uma sexta-feira, estava eu lá, pirado por ter acordado cedo, porque tava engarrafado, porque tava calor pra caralho, porque eu tava atrasado, e porque eu deveria ter acordado mais cedo pra evitar os motivos listados anteriormente.
Eis que senta-se ao meu lado uma mulher, devia ter uns 40 anos e estava com cara de quem chegou da 'balada', não tomou banho, dormiu 40 minutos e saiu de novo. Já entrou no ônibus abrindo o berreiro no celular:
-ELA QUE CHEGUE ATRASA DE NOVO HOJE PRA ELA VER! EU VOU MANDAR EMBORA! TÁ PENSANDO O QUE???????????? QUE VAI CHEGAR TARDE TODO DIA???

Nessa hora, minha cabeça já era uma grande panela de pressão, o cérebro cozinhava no crânio e a fumaça saia pelos ouvidos. Tentei abstrair a situação, afinal, eu já tava pirado, não queria mais um motivo pra apertar minha mente.
Olhei pro lado e vi três meninas do colégio estadual voltando pra casa (sei que estavam voltando pra casa porque o colégio fica na outra direção), uma delas olhou pra mim e falou:

-COISINHO! VOCÊ TEM HORAS AÍ?
-eu tenho cara de relógio, por acaso?
-OW COISINHO! DIGA AÍ, VÁ, QUERO SABER SE TÁ CEDO PRA EU CHEGAR EM CASA
-você não foi pra aula não?
-NÃO, COISINHO, HOJE TEM AULA DE MATEMÁTICA E FÍSICA, ISSO ME DÁ DOR DE CABEÇA
Eu quis dar uma lição de moral, dizendo que ela não deveria fazer isso, pois ela é o futuro desse país, mas como eu estava quase explodindo e também não tenho cara de professor chato, apenas disse, enquanto o ônibus finalmente andava:
-são 7:40, se eu fosse você, eu iria pra escola.
-NÃO, BRIGADA, COISINHO!

Nessa hora a mulher do meu lado saiu do ônibus e eu fiquei lá... Sozinho, sentado no ônibus ás 7:45 da manhã de uma sexta-feira, puto porque o ônibus não andava mais, porque tava calor, porque tava atrasado...
E sonhando com o dia em que finalmente terei um carro e ficarei lá... Sozinho, puto porque o trânsito não flui, porque estarei atrasado... MAS NO CONFORTO DO MEU AR-CONDICIONADO.

Podem dizer que eu sou fresco, mas vá aguentar um sol de 550°C todo dia, com um bando de gente falando do seu lado e sentado n'um banco desconfortável!

OLÁ!

oi gente, esse é meu blog, uma ferramenta de contato web, onde eu contarei algumas histórias pra vocês.. algumas serão verdadeiras, outras nem tanto, mas será um conteúdo sincero e espero que muitos gostem..
eu sempre gostei de blog que falassem sobre os assuntos do meu interesse, por isso criei o meu também.. espero que alguém leia essa porra!
espero também que eu não fique anos sem postar, assim como meus blogueiros favoritos.
em breve darei o meu ponta-pé (entrei na faculdade e não sei nada dessa nova ortografia) inicial aqui, neste belíssimo espaço!
espero que entrem e fiquem a vontade

abrá