segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Eu vou descer as cataratas n'um barril...

Um dia depois da segunda prova da primeira fase da UFBA do ano passado, eu recebi um telefonema:

-Alô, Lucas?
-Alô, quem fala?
-É Tiago, da S-Video, lembra de mim?
-Diga aí, cara!
-Bem, a gente viu seu teste aqui e queríamos chamar você pra conversar, você pode vir aqui amanhã?
-Posso.

Em setembro eu tinha feito um teste lá e depois de 2 meses de espera (confesso que nem me lembrava mais) eu fui chamado. No outro dia eu estava lá, conversando com meu novo patrão, Anderson. Depois de uns 20 minutos de explicações de como funcionava a empresa, o perfil dos clientes e etc. Ele mandou eu descer pra aprender minhas novas funções.
Fiquei dando uma olhada na locadora, quando um baixinho cabeçudo veio falar comigo, o nome dele era Eduardo.

-E aí, bicho? Você faz o que?
-Engenharia, tô no segundo semestre.
-Ah é? Legal, eu e ele (apontou pro outro funcionário) estamos no segundo semestre, fazemos Sistemas de Informação na Hélio Rocha.

O outro funcionário era aquele que virou uma lenda durante o verão daquele ano. O lendário Victor Costa Ramos, que depois foi apelidado carinhosamente de Vituxo.

Enquanto eles me explicavam o funcionamento da locadora, entrou um gordinho falando pelos cotovelos.

-Porra, man, essa locadora tá uma merda, queriam que eu trabalhasse hoje! Olhe pra isso! Um dia depois da UFBA! Eu preciso descançar! Tá vendo isso aqui? (apontou pro próprio braço, que tinha uma marca roxa) Isso aqui foram ar mulé, porra!

Todos riram e eu fiquei sem entender nada, então ele continuou:

-Olhe (apontou pra mim), vou parar de falar, pra não assustar você.

Eu fiquei sem entender nada do que aquele gordinho falava, mas logo que ele saiu, Victor virou pra mim e disse:

-Esse é Bernardo, ele trabalha aqui.

Nesse dia eu conheci as duas maiores lendas do verão de 2008/2009, eu, Bernardo e Victor. Nós fizemos várias coisas que eu irei lembrar pro resto da minha vida, e talvez um dia eu aprofunde mais aqui no blog.
Fiz essa introdução pra contar de um dos dias mais loucos que já vivi nestes meus 20 anos de existência.

Minha prima paranaense Cristhiane tinha vindo passar o reveillon aqui em Salvador, poucos dias antes, estavamos com ela em uma festa e combinamos de ir a praia. Eu fui dormir na casa de Bernardo e de lá iríamos pra praia logo cedo. Fomos dormir tarde, acordamos cedo, pegamos o ônibus amarelo e fomos.
Fomos à praia de Stella Mares, eu, Cris, Bernardo, Fred e um amigo de Cris.
No meio do caminho, eu me lembrei que naquele dia era o aniversário de uma amiga chamada Irina, que seria comemorado lá no Chuleta mas não dei importância ao fato e fomos a praia.

Enquanto estávamos na praia, Irina me ligou:

-VOCÊ VAI HOJE, NÉ? (Perguntou ela gritando)
-Pô, Riri, não sei... hoje eu tenho que trabalhar 18 horas e eu ainda estou na praia de Stella. (Deviam ser umas 11 horas)
-NÃO QUERO SABER, SE VOCÊ NÃO FOR, EU VOU FICAR MUITO PUTA COM VOCÊ.

Não tinha jeito, eu teria de ir, o aniversário estava marcado pra 15 horas, saímos da praia 13, pegamos o ônibus amarelo de novo e voltamos pra fazer o percursso mais longo que já fiz dentro de um transporte coletivo urbano.
Durante o caminho, todos foram saindo e pra minha sorte, Bernardo tinha aceitado o desafio de sair de Stella Mares 13 horas, passar no Chuleta, e voltar pra Pituba pra trabalhar ás 18. Ao chegarmos no chuleta, não encontramos ninguém.

-Man! Fudeu! Vamos voltar. - Disse Bernardo.
-Não, man. Se eu disser que vim aqui e voltei, é aí que Irina vai me odiar pro resto da vida.
-Mas e daí? Ela não chegou na hora!

Depois de 15 minutos de reflexão sentados no meio-fio, ouvimos umas vozes.
Nossa falta de experiência "chuletística" era tão grande, que nós não sabíamos que o bar tinha dois andares. Ao subirmos as escadas, encontramos quase todo mundo lá, tomando cerveja e rindo alto dos dois imbecis que pensaram que não tinha ninguém.
Depois de algumas cervejas e algumas gargalhadas, pegamos nosso ônibus, e voltamos pra nossas casas, onde iríamos nos aprontar pra trabalhar.
Bernardo deveria estar no trabalho ás 17 horas e eram 17:40 quando ele saiu do ônibus. Eu ainda fui pra casa, tomei banho e peguei uma carona com minha irmã.
Ao chegarmos na locadora, Tiago nos viu, não reclamou do atraso (ele sempre atrasava também) e foi embora. Eduardo também estava lá. Ele deveria ter trocado com Bernardo ás 17 horas, já passavam dás 18:30 e ele estava lá, sorrindo.

Como eu e Bernardo trabalhamos quase sempre juntos, nós já tínhamos vários códigos pra nos referirmos aos clientes, e tínhamos também nossos clientes preferidos.
Um desses clientes preferidos era Stephanie, que ia sempre na locadora acompanhando sua mãe, as duas transbordavam simpatia.

Em um dado momento daquela longa noite de trabalho, um carro parou no estacionamento. Quando a porta abriu, Stephanie saiu de dentro do carro, sozinha.
Depois de um dia tão inimaginável, depois de ir "de farol a farol" de ônibus, algo estava nos recompensando.
Não sei o que a levou a ir sozinha, mas também depois daquele dia, eu nunca mais a vi, nem ela, nem a mãe...
Esse tipo de mistério, a física quântica e toda a humanidade jamais conseguirão desvendar...

Um comentário:

  1. essa S-Vídeo tem é história pra contar!
    Antes de vc falar o nome das pessoas, eu já sabia de quem vc tava falando! huiahisuhua
    ;** Ki

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