O dia primeiro de novembro é um dia estranho pra mim. Nesse dia é o aniversário da minha primeira bebedeira, o dia em que as portas do paraíso/inferno da cachaça se abriram pra mim e uma voz ecoou lá de dentro:
-Venha, meu filho.
E eu fui.
Aparentava ser um sábado comum no ano de 2003, fui a Lan House com meus amigos depois de uma bela partida de Magic e na volta me encontrei com Iuri e com um amigo dele, que chamaremos aqui de Juquinha. Juquinha era o típico amigo mal-influente, aos 14 anos ele já era maconheiro, bebia e ouvia uma música do diabo chamada de Rock.
Alguns dias (ou meses, não me lembro bem) Iuri tinha ido ao aniversário de Juquinha, onde ele ficou ébrio bebendo aquele vinho enorme chamado de Sangue de Boi. Nesse dia eles pareciam querer repetir a dose:
-E aí, Lucas (Kissão dava seus primeiros passos), vamos beber?
Depois de alguns segundos sem responder nada, eu disse:
-Vamo nessa.
Eu tinha 14 anos, Iuri e Juquinha, 15. A gente não conseguiria comprar nem uma lata de cerveja no mercado da esquina, só que Juquinha, como já era experiente no ramo, pediu pra um taxista comprar pra ele duas garrafas de São Jorge.
-Eu tomo uma e vocês dois tomam a outra.
Pelo menos ele tinha sido sensato e não nos deixou beber uma garrafa cada um. Voltamos pro condomínio onde eu e Iuri moravamos (e eu moro até hoje) e nos escondemos atrás de um prédio, em uma rua que não tem muito movimento.
-É a primeira vez que você bebe, né? - Perguntou Juquinha.
-Pra ficar bêbado, é. - Respondi na lata.
Então começamos, quem já bebeu São Jorge, sabe o que eu tô dizendo, parece que cada garrafa tem um vinho diferente. Tem garrafas que tem gosto de álcool puro, tem garrafas que tem gosto de suco de uva, tem garrafas cujo gosto não tem nada comparável... Com o perdão do trocadilho, é um vinho de lua.
Parece que o vinho do santo guerreiro estava de bom humor naquele dia. Ele estava com um gosto muito agradável e em um determinado momento, Juquinha equiparou as garrafas e disse:
-Virem aí.
Eu e Iuri nos entreolhamos e bebemos aquela bebida roxa de "gut-gut". O álcool parecia estar subindo à mente quanto Juquinha falou:
-Esperem aí.
E saiu.
Eu e Iuri ficamos lá meio tontos e sem saber direito o que estava acontecendo, quando Juquinha voltou e disse:
-Tomem, bebam isso aí.
Ele tinha comprado três latinhas de Bavaria, uma pra cada. Bebemos tudo bem rápido pra não levantar suspeitas do pessoal do prédio e fomos levar Juquinha na frente do condomínio pois o pai dele estava pra chegar. No caminho, eu já fui trocando as pernas, eu já tava bastante tonto. Se fosse hoje em dia, após quase 6 anos, eu não estaria nem um pouco espantado com nada, mas, naquele dia, aquilo tudo parecia surreal.
-É assim que a gente fica bêbado? - Pensei.
Ficamos sentados n'um batente esperando o pai de Juquinha, quando uma moça chegou. É impressionante que quando a gente quer esconder alguma coisa, mas testemunhas aparecem.
-Vocês podem segurar meu cachorro enquanto eu entro na farmácia?
-Podemos.
E ficamos lá, esperando o pai de Juquinha e segurando o cão da senhora.
O pai de Juquinha chegou, a moça voltou e eu e Iuri entramos no condomínio.
Logo na entrada, encontramos um amigo nosso chamado Victor. Victor conversava bastante com a gente sobre isso de beber, mas na hora em que a gente resolveu ir, ele tinha sumido. Victor falou algumas coisas que eu não me lembro mais, e nós fomos em direção a casa dele, eu e Iuri completamente ébrios e falando um monte de coisa sem sentido. Como Iuri era o mais velho da turma, todo o resto ficou olhando pra gente com cara de "vou contar pra sua mãe". E alguém fez algo parecido e contou à Iasmin, a irmã de Iuri. Ela apareceu do nada e disse:
-Iuri, minha mãe tá lhe chamando.
-Porra, Iasmin, eu não vou pra casa não.
-IURI, MINHA MÃE TÁ LHE CHAMANDO.
E ele foi pra casa, mas disse que não ia demorar e pediu que esperássemos na entrada do prédio dele.
Eu sou um cara chato. Não converso muito tempo com pessoas que eu não conheço. Mas, pra aumentar o número de testemunhas desse dia, fiquei conversando com uma senhora que estava sentada na frente do prédio de Iuri. Por sinal, depois daquele dia, nunca mais eu a vi sentada ali.
Ela havia acabado de trocar de apartamento com o filho, pois o dela era no primeiro andar e o do filho no térreo e, devido a idade, ela não poderia mais subir escada. Aqui no condomínio, todos os prédio são de escada. E como o outro filho dela morava naquele mesmo prédio, as coisas ficariam mais fáceis.
Iuri tomou um esporro e foi deitar. Depois de sentir sua cama girar com mais ou menos 900 RPM, começou a vomitar. Começou vomitando no quarto, passou vomitando pelo corredor e terminou sua vomitada no banheiro. Segundo o relato do mesmo, até pedaço de uva saiu.
Eu voltei pra casa, logo após a mãe de Iuri dizer que ele não ia mais sair e que Juquinha nunca mais voltaria lá.
Ao chegar nas proximidades do meu prédio, eu me lembrei que era aniversário do filho do meu vizinho e que milhares de pessoas, incluindo meu pai, estariam no playground. Se eu fosse um pouquinho mais experiente no ramo, passaria por ali como se nada tivesse acontecendo, mas passei correndo e subi em 5 segundos a escada que geralmente eu subo em 30.
Cheguei em casa, sentei em frente a privada e botei tudo pra fora. Aquela foi uma das poucas vezes em que eu vomitei, acho que de lá até aqui, eu só vomitei mais umas 3 vezes, devido a bebedeira. Depois de vomitar, eu fui tomar um banho, liguei o chuveiro e fiquei deitado no chão do banheiro. Meu pai chegou e bateu na porta:
-Lucas, você está bem?
-...
-Lucas?
Sempre foi mais fácil de esconder de meu pai o meu estado. Não sei se ele faz vista grossa, ou se ele não percebe mesmo. As únicas vezes que eu tomei esporro dele, foi porque minha mãe ficou apertando a mente dele pra que ele apertasse a minha. Mas minha mãe tava em Recife, pra minha sorte.
Na minha casa tem dois banheiros, de um banheiro tem um buraco que, se você subir n'um banco, dá pra ver o outro.
Como não obteve resposta, meu pai olhou pelo buraco pra ver o que tava acontecendo, eu tava deitado no chão do box, com a bunda pra cima:
-OW RAPAZ, TÁ DORMINDO AÍ?
-...é...peguei no sono...
-LEVANTE, VÁ PRA SUA CAMA E PARE DE GASTAR ÁGUA, porque você subiu correndo?
-tô com dor de barriga, daqui a pouco passa.
Ao deitar na cama, eu senti a mesma coisa que Iuri, a cama rodava em torno do seu próprio eixo, mas com 450 rpm. Rapidamente peguei no sono e no outro dia acordei com meu pai batendo na porta do quarto:
-Levante que a gente vai buscar sua mãe no aeroporto.
Meu pai foi na frente e eu e minha irmã ficamos sozinhos por um instante:
-Fiquei bêbado ontem.
-Sério? - ela riu - Como foi?
-É.. foi legal.. - e contei a história pra ela.
-Meu pai descobriu?
-Ainda não.
Liguei pra Iuri depois que cheguei do aeroporto, prometemos que nunca mais beberíamos. Uma semana depois, Iuri foi pra um 15 anos, onde tomou umas cervejas.
Alguns meses depois, a mãe de Iuri conheceu a minha e contou tudo pra ela. Minha mãe e meu pai me deram um esporro, mas nada demais... O flagrante teria sido pior. As portas do inferno/paraíso já estavam abertas e esse foi o primeiro passo...
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foi exatamente isso o que aconteceu!
ResponderExcluirfoi uma estória verídica!!
01/11/2003 ficará para sempre nas nossas memórias!!
\o
- Iuri
ô rapaz, ta dormindo ai é?
ResponderExcluiraiohdaiahodhioa
flora
ahiushuaihuihauis
ResponderExcluira primeira bebedeira a gente nunca esquece, né?
=]
Será que "Juquinha" ta vivo ainda?
uahsiuhaihsui
;*
meu sonho é saber có foi a de JUCA de te levado voces pra esse caminho HDUIPDHASSDHD
ResponderExcluir;**
isso merece o seu amado "SEM COMENTÁRIOS" ¬¬
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